Mudança do clima acentua interesse pela exploração dos polos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.11.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Mudança do clima acentua interesse pela exploração dos polos

Há 50 anos era firmado o tratado que reconhece a Antártida como território independente de Estados nacionais e prevê exploração científica conjunta. Ártico não tem tal proteção, sendo alvo de corrida por matéria-prima.

default

Navio alemão Polarstern faz pesquisas na Antártida

Enquanto Rússia, Estados Unidos, Canadá, Dinamarca e Noruega tentam garantir sua posição no Ártico, o Reino Unido está interessado no potencial da Antártida. Na realidade, suas riquezas deveriam estar protegidas por acordos e convenções. Londres reivindica um enorme território submarino onde poderia haver petróleo.

O governo britânico quer agora as 200 milhas náuticas correspondentes ao território que reivindica na Antártida, uma pretensão legitimada pelo Direito Marítimo Internacional.

Como essa reivindicação territorial britânica não é reconhecida internacionalmente, a exigência pelas milhas marítimas se torna obsoleta. Pois o Tratado da Antártida, assinado em 1º de dezembro de 1959, reconhece como território independente toda a área de terra e de gelo ao sul do paralelo 60 e prevê sua exploração científica de forma pacífica. Até agora, ele foi ratificado por 46 países, entre os quais também o Reino Unido.

A Antártida não só exerce influência fundamental sobre o clima do planeta, como também documenta a história da Terra. Além disso, o protocolo ambiental do tratado proíbe qualquer tipo de exploração mineradora até 2041.

O mesmo para o Ártico?

Alexander Proelss, perito em Direito Marítimo da Universidade de Kiel, gostaria que acontecesse o mesmo com o Ártico. "Já houve esforços, mesmo que em pequena escala, para a proteção ambiental do Ártico. Mas as visitas de chefes de Estado e de governo à Groenlândia não negam os claros interesses econômicos. Neste contexto, é difícil prever uma conciliação com os esforços ambientais."

Politische Karte der Arktis freies Bildformat

Mapa político do Ártico (em inglês)

Segundo ele, o complicado Direito Marítimo não se aplica à Antártida por esta ser um continente. Justamente esse fato teria aberto caminho para a assinatura do tratado em 1959. A proteção, no entanto, expira em 32 anos. Quando o tratado perder sua validade, deverá ser iniciada a disputa pelas riquezas sob o Polo Sul.

Riquezas do Ártico

Por enquanto, as supostas riquezas da calota polar ártica ainda estão escondidas sob o gelo. Mas, quando este derreter, sua exploração ficará mais fácil.

Cientistas norte-americanos acreditam que um quarto das reservas mundiais de petróleo e gás esteja concentrado na chamada dorsal de Lomonossov, uma cadeia montanhosa submarina entre a Sibéria e a Groenlândia que passa exatamente por baixo do Polo Norte.

Hermann Rudolf Kudrass, que durante muitos anos trabalhou na Agência Federal de Geociências e Recursos Naturais, em Hannover, é cético: "Talvez se dê um destaque exagerado às riquezas do Ártico. Certamente há petróleo e gás nas 200 milhas da Rússia, do Canadá e dos Estados Unidos. Mas é muito questionável o que haja além disso".

Exploração da Antártida

Já na Antártida acredita-se que, além de minério de ferro e carvão, haja outras matérias-primas, como níquel, cobre e platina, e mesmo ouro e prata. Provas concretas só poderiam ser conseguidas através de perfurações caríssimas, pois a profundidade média é de 4 mil metros.

"Para valer a pena, o preço final de venda teria de ser muito alto mesmo", assinalou Christian Reichert, da Agência Federal de Geociências e Recursos Naturais.

Por seu lado, os cinco países limítrofes do Ártico – Rússia, Canadá, Estados Unidos, Dinamarca e Noruega – não temem riscos. Já hoje eles podem explorar no âmbito das 200 milhas náuticas, como prevê o artigo 76 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Autora: Jutta Wasserrab (rw)
Revisão: Simone Lopes

Leia mais