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Muda a natureza dos conflitos no mundo

ef17 de dezembro de 2003

Instituto para Pesquisas de Conflitos Internacionais de Heidelberg apresenta relatório revelando uma mudança na natureza das guerras: das 14 travadas em 2003, só uma foi entre Estados, a do Iraque.

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Talibãs no campo de prisioneiros dos EUA em GuantánamoFoto: AP

As outras 13 guerras foram entre grupos de povos ou de interesses, dentro de um mesmo país ou além-fronteiras. A constatação confirma a tendência que vem sendo observada há muitos anos pelos pesquisadores do Instituto de Heidelberg, na Alemanha: guerras entre dois ou mais Estados não são mais o "caso normal" de uma guerra.

Em conseqüência da mudança, devem também mudar os meios com os quais a comunidade internacional reage, exigiu a professora de política internacional de Heidelberg, Tanja Börzel. O direito internacional tem de ser adaptado, na sua opinião. "Eu acho fatídico dizer que não haveria condições de lidar com o direito internacional e agir fora da Organização das Nações Unidas (ONU) e das determinações do direito internacional vigente", afirmou.

A reforma do direito internacional já começou, segundo Börzel, citando como exemplo uma resolução da ONU que equipara a violência de terroristas com a dos Estados. Mas em outras áreas o direito internacional continuaria rígido, como por exemplo, com a sua diferenciação rigorosa entre "combatentes" e "não-combatentes". Nem os prisioneiros dos Estados Unidos em Guantánamo, em Cuba, nem as crianças soldados na África se enquadram nesses padrões.

Causas dos conflitos

- A África continua sendo o continente com o maior número de conflitos e também com os mais violentos. Em relação a 2002, diminuiu a quantidade de guerras no mundo, exceto na África. As causas mais freqüentes dos conflitos foram reivindicações territoriais. Os de maior brutalidade foram guerras de disputa pelo poder ou por riquezas naturais.

O terrorismo internacional é uma causa de conflito relativamente nova observada pelos pesquisadores. Uma grande motivação para novas guerras não são mais agressões de um Estado contra outro ou ataque de um país contra alvos em outra nação. O que acontece ultimamente são intervenções de um Estado em outro porque este não quer ou não está em condição de combater uma ameaça que parte de seu território, como o terrorismo.

Divergências euro-americanas

- Um exemplo é o Afeganistão, onde a organização terrorista Al Qaeda, de Osama Bin Laden, operava sob proteção do regime talibã. Este foi derrubado pela força das armas americanas e seus aliados. Em conflitos como esse, os EUA e os países europeus divergem quanto aos meios que devem ser empregados para construir um Estado democrático, segundo a pesquisadora alemã. "Para os americanos parece totalmente legítimo impor a democracia com bombardeios, se for necessário. Os europeus, ao contrário, só vêem o uso da força militar como última opção."

No caso do Iraque, os americanos reconheceram que até agora não levaram suficientemente em consideração a estabilização e a reconstrução do país depois da guerra, como exigiram principalmente a Alemanha e a França. Nesse campo os europeus estão muito à frente dos americanos, segundo Tanja Börzel. Antes da intervenção militar no Iraque, Berlim esclareceu que não participaria dela, principalmente porque Washington não tinha planos para o pós-guerra.