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Mundo

“Mr. Bush, you are leaving the American sector”

Enquanto George Bush aterrissava no aeroporto de Berlim-Tegel, 20 mil manifestantes concentrados no centro da capital alemã batiam lata em protesto à “guerra contra o terrorismo”.

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Polícia dispersa manifestantes com jatos d'água à meia-noite em Berlim

Poucas horas antes da chegada do presidente norte-americano, George W. Bush, em Berlim, na quarta-feira (22), o cenário nas imediações do Checkpoint Charlie – antigo posto de controle entre os setores americano e soviético da Berlim dividida pelo Muro – era bem diferente do costumeiro.

Em vez dos turistas carregados de suvenires dos tempos da Guerra Fria e do Muro de Berlim, quem dominava a rua eram centenas de policiais, vigiando a área em torno do Reichstag, interditada para a visita de Bush, e centenas de manifestantes, a caminho do ato de protesto convocado pelo movimento Eixo da Paz, uma iniciativa de mais de 200 organizações independentes. Uma jovem carrega um cartaz: "Mr. Bush, you are leaving the American sector", um desconvite ao convidado de honra, parodiando as placas que sinalizavam os limites entre os setores da Berlim ocupada.

Berlim, cidade aberta

Na outra extremidade do bulevar Unter den Linden, ao lado do Berliner Dom, a Catedral de Berlim, um outro cerco policial tenta revistar – um por um – os manifestantes de um grupo pacifista organizado. Um grita : "De quem é a rua?". O resto responde, em uníssono: "A rua é nossa."

Não apenas uma reivindicação pela liberdade de manifestação, mas uma resposta direta aos comentários do governo alemão sobre os protestos que acompanham a chegada de Bush a Berlim. "Os manifestantes devem se lembrar de que só podem sair às ruas hoje, porque os Estados Unidos defenderam a liberdade de Berlim Ocidental", conforme a declaração de um representante do governo, divulgada após a manifestação de terça-feira (21), que já reunira 17 mil pessoas no centro da capital alemã.

Ao contrário do governo alemão, que agora enfrenta dificuldades em relativizar a "solidariedade irrestrita" que prometera aos EUA no início da chamada "guerra contra o terrorismo", os manifestantes se sentem em território livre, menos comprometidos com uma gratidão histórica aos americanos do que com uma política global livre da hegemonia dos EUA.

Enquanto policiais, munidos de telescópio e câmeras, bem posicionados em cima do edifício do antigo Palácio da República da Alemanha comunista, à altura dos anjos da catedral vizinha, vigiam a paz das ruas do centro de Berlim. Os manifestantes, munidos de instrumentos mais arcaicos – como panelas, latas e instrumentos de percussão – entoam seu grito pela paz mundial e contra a globalização.

Unidos por um inimigo comum

As reivindicações dos pacifistas, ambientalistas, militantes antiglobalização e outros ativistas de esquerda são muitas: contra a militarização da política; contra a "guerra antiterrorismo", sobretudo sua provável expansão contra o Iraque; contra as injustiças sociais da globalização; contra a recusa norte-americana de assinar o protocolo de Kyoto; entre muitas outras.

Em meio às principais reivindicações, representadas por associações ligadas à iniciativa antiglobalizante ATTAC, infiltram-se centenas de outras, propagadas por alto-falantes, panfletos e slogans, mostrando que o imenso espectro da ação antiamericanista muitas vezes ultrapassa o limite da cordialidade ("Bush, assassino!") e do politicamente correto (incluindo – por exemplo - vozes contra Israel, que não poupam comentários anti-semitas). Aparentemente, a única coisa que une os manifestantes é o inimigo comum.

Violência pela mídia

"Pela solidariedade internacional", "Abaixo a violência!", gritavam os 20 mil manifestantes, em passeata ao redor da praça Alexanderplatz, enquanto um grupo de anarquistas desafiava o cerco policial na ponte Schlossbrücke, em direção a Unter den Linden, queimando a bandeira norte-americana.

O resultado: 44 feridos, 58 presos e a imagem de ativistas violentos propagada pela mídia de todo o mundo. O receio do ministro alemão do Exterior, Joschka Fisher, acabou se cumprindo. O político verde, que mostrara compreensão com manifestações políticas durante a visita de Bush, só temia a propagação de "imagens feias, antiamericanistas". E é isso que acaba de acontecer, graças à sede de impacto da mídia globalizada.

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