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América Latina

Movimento de direitos femininos na AL nasceu do combate a ditaduras

A resistência contra a ditadura militar nos anos 1980 também transformou mulheres latino-americanas em defensoras da igualdade de direitos entre os gêneros. Porém em sua luta continuam dependendo dos machistas.

Da câmara de tortura ao palácio presidencial: essa mesma trajetória dramática de vida liga a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, à ex-presidente chilena, Michelle Bachelet. E a ascensão política das duas simboliza a peculiar história do movimento feminino na América Latina, que por sua vez se formou, em vários países, a partir da luta contra as ditaduras militares dos anos 1970 e 1980.

O que começou na América Latina como um protesto de mães e mulheres contra a tortura e sequestros de parentes desenvolveu-se, transformando-se numa luta bem-sucedida em prol da igualdade de direitos entre os gêneros. "A mobilização política tirou as mulheres de seus papéis tradicionais", explica Sérgio Costa, sociólogo e professor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim. "Pois as mulheres que organizavam os movimentos sociais não queriam mais ser oprimidas em casa por seus maridos", completa.

Um símbolo dessa ruptura foram as mães da Praça de Maio, que protestaram silenciosamente durante a ditadura argentina (1976-1983), a cada semana, diante do palácio presidencial em Buenos Aires. O protesto contra a violência e a opressão voltava-se também contra as estruturas patriarcais em toda a América do Sul. Sintomaticamente, os governos militares subestimavam os protestos dessas mães, e em geral elas não eram tão perseguidas quanto os membros de grupos de resistência política.

Resistência de mulheres

"As mães dos desaparecidos deram à sociedade civil organizada na Argentina um rosto inconfundível", confirma Anika Oettler, professora de Sociologia da Universidade de Marburg e especialista em questões ligadas à América Latina. Segundo ela, o combate às ditaduras militares em alguns países da América Latina levaram ao fortalecimento do movimento feminino.

Muitas mulheres ligadas a movimentos de resistência contribuíram determinantemente para a implementação da democracia no continente. No Brasil, ao lado da presidente Dilma Rousseff, são dignos de nota os nomes das socialistas Lídice da Mata e Luiza Erundina. Esta última chegou à política através de sua participação em comunidades de base e foi eleita, em 1988, primeira prefeita de São Paulo.

A senadora brasileira Lídice da Mata começou a carreira política na clandestinidade comunista. Em 1992 foi a primeira mulher a assumir a prefeitura de Salvador. Determinante para sua vitória nas urnas foi o slogan maternal: "Como prefeita, vou governar a cidade como uma dona-de-casa sem dinheiro, mas com cinco filhos". Em função de sua administração exemplar, Da Mata foi a deputada mais votada da Assembleia Legislativa da Bahia em 1998.

Na Argentina, Uruguai, Nicarágua e Chile, as mulheres ligadas a movimentos de resistência também chegaram ao poder. Violeta Barrios de Chamorro, viúva de um editor, conseguiu derrotar o chefe de Estado sandinista Daniel Ortega na Nicarágua, em 1990. No Uruguai, a advogada de direitos humanos Azucena Berrutti assumiu a pasta da Defesa entre 2005 e 2008. E na Argentina, a ativista da resistência Nilda Celia Garré é titular da pasta de Segurança Nacional do governo da presidente Cristina Kirchner.

Feminilização da política

Aproximadamente 30 anos depois do fim da era das ditaduras militares no continente, a participação política das mulheres na América Latina é inquestionável. A maioria dos partidos políticos introduziu cotas para mulheres. Segundo dados fornecidos pela Organização para Parlamentos, que incentiva o diálogo internacional entre parlamentares, o número de representantes populares femininas, subiu na região, de 8%, em 1985, a 22%. Na Bolívia, tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados são liderados por uma mulher.

Em Nova York, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet luta, em nome da Organização dos Direitos das Mulheres das Nações Unidas, pela igualdade de direitos entre os gêneros no mundo. Pois apesar de sua presença política mais intensa, maior atividade no mercado de trabalho e de melhores chances de educação, a discriminação e a violência contra a mulher ainda continuam a fazer parte do dia a dia na América Latina.

Depois de 30 anos de movimento feminino na América Latina, resta o balanço sóbrio: a feminilização da política não implica automaticamente uma política mais favorável às mulheres. "As políticas representam muitas vezes mais as posições de suas classes sociais ou de de suas convicções religiosas do que necessariamente os interesses das mulheres", diz Oettler. Além disso, na luta pela igualdade de direitos, as mulheres continuam dependendo dos machistas.

Autora: Astrid Prange de Oliveira (sv)
Revisão: Augusto Valente

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