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Cultura

MOVE BERLIM: os passos brasileiros na Alemanha

MOVE BERLIM apresentará pela primeira vez na Alemanha "a pluralidade de uma das mais vitais culturas de dança do mundo": a brasileira. Tendo como patrono Gilberto Gil, ele transcorre de 4 a 17 de abril na capital alemã.

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Cena de "Violência", coreografia de Alejandro Ahmed

A finalidade dos organizadores desse festival de dança é apresentar um Brasil para além dos clichês carnavalescos, um país multifacetado, distinto do exotismo cultivado pela visão eurocêntrica predominante. Assim, MOVE BERLIM concentra-se nos diferentes princípios estéticos, étnicos e regionais da dança brasileira, focalizando a cena que se desenvolveu desde a redemocratização do país, em meados da década de 80. O programa inclui seis coreografias, parte das quais estará tendo estréia européia, além de numerosas oficinas, palestras e debates.

Coreografia para ouvir, da companhia Quasar, de Goiânia, abre o festival, tentando "tornar visível os sons culturais do Brasil". Ela inspira-se no seriado de TV Sons de rua. Já a dançarina e coreógrafa Ivani Santana, de São Paulo, apresenta Corpo aberto, caracterizado como "dança imagem tecnologia", ou seja, a peça desenvolve-se através da relação entre o corpo orgânico e os meios tecnológicos – "corpos de carbono e corpos de silício" –, no diálogo entre corpos fragmentados e suas reconstruções digitais.

O Viladança vem de Salvador com CO2 – cinco sentidos e um pouco de miragem. Aqui, um cubo de rede de 216 metros cúbicos oferece espaço para uma colagem de cenas, "uma viagem sensual e poética através de vários mundos e sentimentos", onde realidade e utopia dialogam. Violência, uma produção do Grupo Cena 11, de Florianópolis, toma como ponto de partida o texto O teatro e seu duplo, do autor francês Antonin Artaud (1896-1948). Entre outros elementos, envolve jogos de vídeo, desenho animado e o movimento punk.

O cantor, instrumentista e dançarino Antonio Nóbrega, do Recife, elaborou o solo Figural a partir de passos, posturas e coreografias de artistas populares do Nordeste brasileiro, coletadas ao longo de vários anos. Nesses retratos "movimentam-se o ridículo e o elevado, o humor e o pathos". Por último, a Cia. Seráquê? apresentará Quilombos Urbanos. O grupo de Belo Horizonte combina dança moderna, break dance, capoeira, samba, percussão e DJs, poesia, rap e live graffitti, num estudo sobre a linguagem dos gestos e ritmos dos guetos metropolitanos.

O Brasil e os Brasis

Entre os numerosos palestrantes do MOVE BERLIM estão o secretário da Música e Artes Cênicas Sérgio Mamberti, a pesquisadora Helena Katz e os dançarinos Arnaldo Alvarenga e Eliana Rodrigues. Eles traçarão panoramas da dança no Brasil, assim como no Nordeste e no Amazonas. Entre os títulos estão: Falar do Brasil: contemporaneidade, Como ser Antena/Raiz no país do Carnaval, Brasis – Culturas regionais e identidade nacional ou Dança e memória: o passado vivo na construção do presente.

O festival, que conta com a direção artística de Wagner Carvalho, terá como palco o Hebbel Theater e o Theater am Halleschen Ufer. Outros colaboradores e patrocinadores do MOVE BERLIM são o Hauptsatdtkulturfonds, Tanzfabrik e a Berliner Kulturveranstaltungs-GmbH, além do Ministério brasileiro da Cultura e a Secretaria da Música e Artes Cênicas. Entre sua concepção e realização transcorreram dois anos e meio. Seu patrono, o ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, espera que seja "um marco no intercâmbio cultural entre os nossos grandes povos", um ensaio de "mais alguns passos juntos nesta dança de nossas vivências comuns".

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