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Cultura

Mostra usa cinema para debater direitos humanos

Entre curtas, médias e longas metragens, "Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Mundo" exibirá 40 filmes em todas as capitais e no Distrito Federal. Entrada é gratuita.

O filme Colegas conta as aventuras de três personagens com síndrome de Down

O filme "Colegas" conta as aventuras de três personagens com síndrome de Down

Com o tema especial "crianças e adolescentes", começa nesta sexta-feira (13/11) a 10ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Mundo, realizada pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República e produzida pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM).

Entre curtas, médias e longas metragens, o evento exibirá, até 20 de dezembro, 40 obras sobre os mais diversos temas de direitos humanos em todas as capitais do país e no Distrito Federal. A entrada é gratuita, e a programação completa está no

site do evento

.

A mostra foi criada em 2006 para celebrar o aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos, proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948.

Em dez anos, algumas coisas mudaram no cenário dos direitos humanos brasileiro. "O Brasil conquistou avanços importantes, com políticas institucionalizadas, como a criação do mecanismo de combate à tortura, uma recomendação da ONU, e da Comissão Nacional da Verdade. Isso não significa que o país não tenha gravíssimas violações dos direitos humanos em todos os campos, por exemplo da comunidade LGBT, imigrantes, mulheres e negros", diz Rogério Sottili, à frente da SDH.

A mostra objetiva ser um instrumento de debate e reflexão sobre os valores dos direitos humanos. A temática desta edição comemora os 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e "surge justamente para contrapor os debates sobre a redução da maioridade penal", diz Sottili.

"O Brasil está passando por um momento muito difícil por causa da sua conjuntura política, o que acaba fragilizando a agenda de direitos humanos. O Congresso está revendo algumas conquistas históricas, com a 'PL do aborto', a questão do Estatuto do Desarmamento e a redução da maioridade penal, por exemplo. São movimentos que ainda não estão consolidados e decisões que ainda precisam ser aprovadas em outras instâncias, mas precisamos ter cuidado e ampliar o debate com a sociedade civil".

Sottili ressalta que a mostra não pretende ter um discurso ideológico. "A imagem cinematográfica consegue promover valores importantes sem precisar de um discurso ideológico. O cinema fala por si, e isso ajuda na construção de uma cultura dos direitos humanos", afirma.

Poder libertador do cinema

Guilherme Xavier, diretor do média Sobre coragem!, que integra a mostra, também aposta no cinema como uma forma de sensibilizar as pessoas para questões importantes. "Eu queria provocar no público a mesma sensação que eu experimentei, a do rompimento afetivo", conta Xavier.

Cena do filme Sobre Coragem!, que integra a mostra

Cena do filme "Sobre Coragem!", que integra a mostra

Ele passou três dias gravando, e morando, na ocupação Vila Nova Palestina, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), um acampamento em São Paulo com mais de 8 mil famílias sem teto que lutam por moradia. O filme surgiu como um complemento do disco Coragem!, do artista Güido.

"Um homem branco heterossexual de classe média querer falar de coragem num espaço como a Nova Palestina parece até provocação, então o que me restou foi apenas dar olhos e ouvidos a uma experiência transformadora que vivi", acrescenta Xavier.

O diretor diz crer no "potencial de contato libertador" do cinema que, assim, poderia contribuir para avanços nos direitos humanos. "Eu acredito no cinema – e não só nele, mas em diversas expressões artísticas – como um instrumento de quebra da apatia. É o poder de fazer sentir e, através da emoção, abrir o caminho para uma mudança comportamental concreta".

Caráter universal

Além da mostra temática "Crianças e Adolescentes" – que conta com produções como o documentário A alma da gente, de Helena Soldberg e David Meyer, sobre um projeto de dança com adolescentes da Favela da Maré, no Rio –, o evento tem outras duas categorias: Panorama e Homenagem.

A diversidade de temas é grande. Na Panorama, o documentário À queima roupa, de Theresa Jessouroun, mostra a violência policial no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos. O recém-lançado Betinho – A esperança equilibrista, de Victor Lopes, conta a emocionante trajetória do sociólogo e ativista Herbert de Sousa. Já Colegas, de Marcelo Galvão, é uma divertida aventura sob a perspectiva de três personagens com síndrome de Down.

O homenageado desta edição é a própria mostra que, em comemoração aos dez anos, exibirá filmes de edições anteriores, como o premiado vencedor da edição anterior: Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro.

Sem se limitar ao Brasil, o evento apresenta produções da temática de direitos humanos de todo o mundo. Na programação deste ano estão o longa cubano de ficção Numa escola de Havana, de Ernesto Daranas, e o documentário 500 – Os bebês roubados pela ditadura argentina, de Alexandre Valenti, uma coprodução entre Brasil e Argentina. Na mostra Panorama será exibido o longa de ficção de Cingapura Quando meus pais não estão em casa, de Anthony Chen.

"Direitos humanos é uma questão internacional. Nós queremos debater a situação dos refugiados, por exemplo. É importante que o brasileiro perceba isso e veja como o mundo também avançou muito na promoção dos direitos humanos, sob o ponto de vista da saúde, ambiental, prisional. A lógica do mundo está mudando, mas todos nós ainda precisamos avançar muito mais", acrescenta Sottili.

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