Mostra Lichtenstein em Colônia enfatiza absorção das vanguardas pela Pop Art | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 13.07.2010
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Cultura

Mostra Lichtenstein em Colônia enfatiza absorção das vanguardas pela Pop Art

As imagens de histórias em quadrinhos pintadas em grande formato e em técnica de retícula o tornaram mundialmente famoso. Grande expoente da Pop Art norte-americana é objeto de retrospectiva em Colônia, na Alemanha.

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'Figuras na Paisagem', de 1977

Roy Lichtenstein não se importava com a distinção entre original e cópia. Ele se apropriava de motivos de catálogos, pôsteres ou calendários. Com sua singular técnica de retícula, ele pintava por meio de uma rede de pontos os motivos escolhidos, como – por exemplo – as Mulheres de Argel, de Picasso.

Em 1963, Lichtenstein trabalhou um detalhe da famosa obra cubista, intitulando ironicamente sua versão de Mulher de Argel. Visto de longe, o quadro parece um Picasso autêntico; ao se aproximar da tela, o observador reconhece – no entanto – um verdadeiro Lichtenstein.

O Museu Ludwig, em Colônia, detentor da maior coleção de Pop Art fora dos Estados Unidos, exibe até 3 de outubro 100 obras deste expoente da pintura pop, incluindo quadros em grande formato, desenhos e esculturas.

Flash-Galerie Roy Lichtenstein Ausstellung Kunst als Motiv

Da série 'Brushstrokes', de 1966

Cézanne, Picasso, Mondrian

Roy Lichtenstein denominava os seus pontos de retícula Benday dots, em referência ao pintor Benjamin Day, o primeiro a produzir superfícies com os pequenos pontos coloridos em um processo de impressão.

Com a técnica, Lichtenstein retrabalhou os "heróis" da história da arte, sobretudo Pablo Picasso, Henri Matisse, Piet Mondrian e Salvador Dalí. Sua abordagem oscilava entre valorização do original e desmontagem.

Assim como em suas imagens extraídas de histórias em quadrinhos, nestas Lichtenstein também combina os pontos de retícula com cores vivas e contornos pretos. No início, ele desenhava os pontos ainda manualmente; mais tarde passou a usar estêncil.

Até a década de 1970, Lichstenstein citava obras de arte isoladas. Quadros como As Banhistas, de Paul Cézanne, ou A Dança, de Henri Matisse, podem ser reconhecidos claramente como pontos de partida. Posteriormente, ele passou a se dedicar a correntes conhecidas da história da arte, como o cubismo, o futurismo ou o surrealismo.

Apesar de a "reciclagem" de elementos da história da arte se estender por todo o seu período de produção, a maioria das pinturas expostas em Colônia é ignorada até por conhecedores da arte. "Até agora, nenhuma exposição enfocou esta vertente que – assim como os quadrinhos – representa um aspecto essencial de sua obra. Esse é um fio condutor que perpassa todo o seu trabalho", explica o curador Stephan Diederich.

Flash-Galerie Roy Lichtenstein Ausstellung Kunst als Motiv

Estudo para a obra 'Preparedness', de 1968

Trabalho perfeito

Muitas obras vêm de grandes museus, como o MoMA, de Nova York, ou da Fundação Lichtenstein. Girl with Tear (Garota com Lágrima) é uma mistura de tira de história em quadrinhos e surrealismo. O motivo faz referência ao fotógrafo Man Ray ou ao pintor surrealista René Magritte: um olho do qual escorre uma lágrima. Da imagem também surge uma mecha de cabelo loiro – como se fosse um jato de água.

Lichtestein explorou obras-primas da história da arte e tornou-as consumíveis pelas massas, tentando se manter à parte como autor.

O espantoso é que Roy Lichtenstein continuou trabalhando como um pintor clássico até a sua morte, há 13 anos. Suas pinturas não eram feitas de forma rápida e mecânica. Ele as preparava meticulosamente: procurava um motivo, fazia esboços, projetava-os com um projetor de slides sobre a tela, até finalmente produzir o estêncil.

Seu amor pela pintura se manifesta, por exemplo, na famosa série Brushstroke (Pincelada). As pinceladas gigantescas são trasferidas para a tela com a técnica de retícula. Por um lado, uma homenagem ao gesto genial do artista; por outro, a expressão de uma profunda dúvida em relação ao mesmo.

Faz sentido esta exposição ser realizada na cidade de Colônia. O Museu Ludwig, que recebe o nome do colecionador Peter Ludwig, não só possui uma importante coleção de Pop Art, mas também tem inúmeras obras-chave de Roy Lichtenstein – entre as quais, alguns ícones do pintor, como M-Maybe (T-Talvez), o retrato de uma loira à espera de seu namorado.

Na exposição de Colônia, o Lichtenstein conhecido pode ser revisto, e o desconhecido pode ser descoberto.

Autor: Sabine Oelze (np)
Revisão: Simone Lopes

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