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Cultura

Mostra leva ao Brasil cinema reflexivo e realista alemão

Filmes da chamada Escola de Berlim compõem evento que está em cartaz no Rio e chegará em breve a Brasília. Mostra inclui longas clássicos e inéditos e debates com cineastas da Alemanha.

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Cena do filme "Ouro", uma das produções do cineasta Thomas Arslan que serão exibidas

Reflexão e realismo são as marcas da produção cinematográfica alemã originada na década de 1990 e conhecida internacionalmente como Escola de Berlim. O movimento – que vem influenciando cineastas há mais de uma década – não é propriamente uma “escola”, mas um conceito cinematográfico que apresenta aspectos semelhantes em um conjunto de filmes.

Relações familiares próximas, conflitos cotidianos, trabalho e elos de amizade estão na lista de temáticas comuns à Escola de Berlim. “Como havia só comédia e filmes mais leves e comerciais no cinema dos anos 1990 e o cinema de arte estava parado nessa época, os filmes da escola de Berlim estavam diferentes de várias maneiras”, explica Arndt Röskens, do Goethe Institut do Rio de Janeiro.

Para Röskens, a Escola de Berlim simboliza uma ruptura de estilos e estética. Ele é o produtor de uma mostra – realizada pelo Goethe Institut em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – que trouxe ao público brasileiro alguns dos clássicos desse movimento, além de criações de cineastas da nova geração.

O festival, que já passou por São Paulo, está em cartaz no Rio de Janeiro até o próximo dia 14 de outubro e chegará a Brasília até o dia 20. A curadoria é de Georg Seesslen, e a mostra inclui, além da exibição de filmes, debates com cineastas.

“É bem difícil fazer um recorte de um movimento tão amplo, mas tentamos colocar um panorama representativo desse movimento”, pondera Röskens sobre a programação do festival, que faz parte das celebrações do ano da Alemanha no Brasil.

Rótulo para uma produção ampla

Thomas Arslan, que estreou a produção de longas com Geschwister – Kardesler (1997), faz parte da primeira geração de cineastas da Escola de Berlim e está no Brasil para acompanhar a mostra. Para ele, o rótulo cunhado pelos críticos de cinema do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 é uma maneira de agrupar filmes que têm uma estética comum, mas faz mais sentido fora da Alemanha do que dentro dela.

“Ele [o rótulo] é mais interessante para pessoas de fora porque gera alguma atenção e isso é bom. Na Alemanha ele funciona mais como um rótulo para o público, para avisar para eles que aquele é um filme lento [risos]”, disse à DW Thomas Arslan.

Thomas Arslan

Thomas Arslan: toque de realismo como marca em seus trabalhos mais recentes

A utilização de ambientes e iluminação reais e um toque de realismo são exemplos dessas características que unem as produções. Como exemplos da heterogeneidade da Escola de Berlim, Arslan cita duas de suas produções: Ouro (2013) e Férias (2007).

Ouro é um dos inéditos que será apresentado à plateia do Rio de Janeiro no dia 9. O longa participou da mostra competitiva do Festival de Berlim deste ano e se passa no verão de 1898 no Canadá.

Arslan classifica o filme como um late western com história de imigrantes. Já Férias conta a história de uma família que mora em uma casa de campo no meio de uma floresta.

“É diferente porque muitos dos meus filmes são uma espécie de road movie e esse foi feito inteiramente em uma locação – em uma casa e um jardim”, conta Arslan, que diz tentar explorar algo novo em cada produção.

Novos membros

Representante da geração mais recente, Nicolas Wackerbarth, natural de Munique, é diretor de Meia Sombra (2013), seu longa de estreia que foi selecionado para a seção Fórum do Festival de Berlim deste ano. O filme se passa no sul da França e é focado no relacionamento de familiares e amigos.

“Você vê toda a influência da Escola de Berlim no filme, mas ele dá passos próprios também”, avalia Arndt Röskens.

Film Halbschatten

Cena do filme "Meia Sombra", longa de estreia de Nicolas Wackerbarth

Wackerbarth estudou na Academia de Cinema e TV de Berlim (DFFB), que também formou veteranos como Thomas Arslan e é um dos pontos em comum entre alguns dos nomes da Escola de Berlim. Outra similaridade é a importância dada à reflexão não só sobre temas cotidianos, mas também sobre o próprio cinema.

“Era um elemento inovador para a época porque nos anos 90 ninguém estava mais refletindo sobre o cinema dessa maneira. Isso era coisa dos anos 70 e isso eles trouxeram de volta ao cinema”, avalia Arndt Röskens.

Um símbolo do valor da reflexão é a revista Revolver, fundada em 1998 por um grupo de estudantes de cinema da Universidade de Televisão e Cinema de Munique e que hoje tem Nicolas Wackerbarth entre os editores. “Eles trocam ideias, sempre debatendo, pensando refletindo o cinema em geral e os filmes também”, aponta Arndt.