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Mundo

Morte de jovem ameaça abrir novo período de instabilidade na Turquia

Após semanas de relativa calma, manifestantes voltam às ruas para protestar contra Erdogan e o uso de violência pela polícia, que teria matado homem de 22 anos durante protesto pacífico.

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Oposicionistas de esquerda buscam abrigo contra ação policial

Ahmet Atakan foi, segundo testemunhas, atingido na cabeça por um cartucho de gás lacrimogêneo jogado pela polícia. As autoridades, por sua vez, afirmam que ele caiu de um telhado. Certo é que o jovem de 22 anos está morto, e isso voltou a inflamar com plena força o conflito entre os opositores do governo turco, que protestam nas ruas, e os policiais, que defendem os interesses de Ancara.

A morte de Atakan, na última segunda-feira, foi a sexta entre os autores dos protestos antigoverno, iniciados em junho. Um policial igualmente foi vítima dos choques em torno do controverso projeto governamental de construção no Parque Gezi, em Istambul.

Com o início das férias de verão, no fim de junho, o conflito havia perdido seu ímpeto. Contudo, representantes do governo e do movimento de protesto revelaram que antecipavam novas tensões, com o início do segundo semestre nas universidades do país, em setembro. Nas redes sociais, falou-se de um "outono quente".

Na prática, continuam valendo os motivos que levaram às ruas a aliança formada por grupos críticos ao governo. O movimento acusa o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan de tendências autoritárias, prepotência, arbitrariedade e descaso por opiniões contrárias.

Mesmas diferenças

Os manifestantes acusam, mais uma vez, os policiais de reagirem com dureza exagerada às manifestações, que clamam ter princípios pacíficos. Em Istambul, ambos os lados se confrontaram até as primeiras horas da última quarta-feira (11/09), em parte com violência extrema.

Polizeigewalt in Istanbul nach Tod von jungem Demonstranten

Polícia reprime com violência, após morte de manifestante em Istambul

Apesar das promessas de melhoras feitas pelo governo da Turquia em junho, nada se fez de concreto. No momento, ele procura impor a construção de uma estrada de alta velocidade atravessando um terreno densamente arborizado da Universidade Técnica do Oriente Médio, em Ancara, o que também suscita protestos.

O governo insiste que por trás do movimento de protesto não se encontram cidadãos verdadeiramente descontentes, mas sim oponentes políticos de Erdogan, que procuram tirar proveito utilizando a pressão das ruas.

Mustafa Varank, um assessor do chefe de governo, acusou no Twitter os manifestantes de usarem a morte de Ahmet Atakan para espalhar agitação e mentiras, empregando "táticas de guerra psicológica". Diante de tais reações, o movimento está seguro de não poder contar com mais compreensão para suas reivindicações, pelo menos por parte do Estado.

Radicalização entre manifestantes

Süha Yilmaz, membro do Fórum de Protesto em Istambul, disse à DW que espera um crescimento progressivo das tensões, sem que se registre qualquer indício de que o governo vá ceder. "Eles começaram de novo a matar gente", comentou em relação Ahmet Atakan. "Eles não recuam nem um passo".

Mas também os oposicionistas são alvo de críticas. Nos recentes tumultos de rua em Istambul, na segunda semana de setembro, alguns manifestantes atiraram coquetéis molotov contra a polícia e usaram fogos de artifício como armas. Tal propensão à violência desperta suspeitas incômodas entre alguns simpatizantes do movimento.

Erdogan PK Budapest 05.02.2013

Premiê Erdogan acusado de prepotência e arbitrariedade

Um dono de bar em Istambul – que prefere permanecer anônimo e diz apoiar as reivindicações dos manifestantes por mais democracia e participação cidadã – contou à DW que alguns jovens invadiram seu estabelecimento pedindo garrafas vazias de cerveja para atirá-las contra os policiais.

"Eu os expulsei no ato, eles só queriam arruaça." O comerciante lembra que na primeira fase dos protestos, no Parque Gezi, havia muitos cidadãos normais entre os manifestantes, mas, aos poucos, os radicais se impuseram cada vez mais: "Depois das duas primeiras semanas, a coisa mudou". E isso não é um bom sinal para os meses por vir", afirma.

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