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Mundo

Morsi insiste que não vai deixar o poder no Egito

Ao menos 16 pessoas morrem em confrontos entre adversários e apoiantes do presidente egípcio no Cairo. Na televisão, Mohammed Morsi diz que não vai renunciar. Segundo jornal, Exército prevê anular Constituição.

O Egito viveu uma noite de violências nesta terça-feira (02/07), a poucas horas do fim de um ultimato da liderança militar do país para que o presidente Mohammed Morsi ponha fim à crise política. Ao mesmo tempo, durante a noite, Morsi insistiu que não vai renunciar ao cargo.

Em discurso difundido pela rede de televisão estatal, o primeiro presidente egípcio civil e eleito democraticamente afirmou que "daria a vida" para continuar "assumindo a responsabilidade" pelo país. Desde o fim de semana, milhões de manifestantes que tomaram as ruas do país exigem a renúncia do presidente.

A oposição criticou a permanência de Morsi no poder, enquanto confrontos violentos voltaram a acontecer na capital, Cairo. Ao menos 16 pessoas morreram e outras 200 teriam ficado feridas nas proximidades da Universidade do Cairo, de acordo com o Ministério da Saúde do Egito.

As violências aconteceram num ataque de adversários do presidente a apoiantes islamitas de Morsi, que é oriundo da Irmandade Muçulmana. Uma das principais queixas dos manifestantes contrários a Morsi é sobre o temor de uma "islamização" do Egito, com importância considerada "exagerada" para o Islã na legislação.

Mais cedo, também na terça-feira, o bairro de Gizeh foi palco de confrontos entre partidários e adversários de Morsi. Sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. Houve também enfrentamentos em Alexandria e na cidade de Kaliouba, no norte do Cairo. Em Alexandria, os militares intervieram para separar os dois lados do confronto.

"Derramamento de sangue"

Regierungsgegner Proteste in Ägypten

Manifestante tapa os ouvidos durante discurso de Morsi

Segundo Morsi, que assumiu o poder há um ano, a legitimidade constitucional do cargo presidencial seria "a única garantia para evitar um derramamento de sangue". Ao mesmo tempo, o presidente alertou para que o Egito não caia numa "armadilha da violência" e convocou a oposição ao diálogo.

"Não se deixem intimidar, não caiam nessa armadilha, não deixem que roubem a revolução de vocês", declarou aos seus apoiantes, lembrando a revolução popular que, em fevereiro de 2011, derrubou o então presidente militar Hosni Mubarak após 18 dias de levante.

No microblog Twitter, a presidência egípcia exigiu dos militares a anulação do ultimato expedido na segunda-feira. Morsi rejeitaria todas as tentativas de violação da legitimidade do cargo executivo mais alto do país, diz o comunicado publicado na internet.

O Exército estabeleceu que Morsi deveria solucionar, até as 17h locais desta quarta-feira, a crise política que tomou o país, por exemplo convocando eleições presidenciais antecipadas. Três horas depois do pronunciamento de Morsi na televisão, o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) se disse pronto a "derramar o próprio sangue" para "defender o Egito e seu povo dos terroristas, dos radicais e dos loucos."

Ägypten Proteste Tahir Platz Nacht

Desde o fim de semana, milhões de egípcios vão às ruas. Adversários pedem a renúncia de Morsi

Plano de ação

O diário egípcio Al-Ahram publicou nesta quarta-feira (03/07) a manchete "Renúncia ou Destituição" e divulgou também as linhas gerais de um plano de ação do Exército caso Morsi não tome nenhuma atitude até o ultimato expirar. De acordo com os detalhes divulgados pelo jornal, os militares anulariam a Constituição, aprovada em referendo popular controverso no final do ano passado. Esse ponto, de acordo com o diário, indicaria a destituição de Morsi, especulada por especialistas egípcios e internacionais.

Ägypten Proteste Militär

Militares egípcios lançaram ultimato para presidente resolver crise política

O plano do Exército também prevê a convocação de eleições presidenciais e legislativas, ainda sem data.

Fontes militares teriam dito que o Exército pretende destituir Morsi, confiando a liderança do país a um "conselho provisório" até a elaboração de uma nova lei fundamental e a organização de eleições. Essas mesmas fontes teriam assegurado que o possível novo capítulo da transição egípcia não se assemelharia aos 17 meses em que o CSFA dirigiu o país, entre a queda de Mubarak e a posse de Morsi. Não haveria informações sobre a atitude planejada dos militares caso Morsi se recuse a deixar o poder.

RK/rtr/afp/dpa/ap

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