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Alemanha

Morre uma figura simbólica

As contradições do líder palestino Yasser Arafat e as perspectivas que se abrem com sua morte, em análise do comentarista da DW Vladimir Müller.

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Mais de uma vez ele esteve muito próximo da morte: em 1983, durante a guerra no Líbano, quando deixou seu esconderijo vestido de mulher e só conseguiu escapar a muito custo, sob a proteção de unidades da Marinha francesa. Ou em 1992, quando seu avião precisou fazer um pouso forçado no deserto líbio e ele saiu com alguns ferimentos. Tampouco o governo de Israel conseguiu derrotá-lo, isolando-o quase dois anos e meio em Ramallah e ameaçando-o várias vezes de morte. Agora Yasser Arafat morreu de morte natural, não se tornou um mártir.

Do terrorismo ao Nobel da Paz – Para seu povo, ele continuou sendo até o final – na condição de símbolo da luta dos palestinos pela libertação – o político mais benquisto. Foi sob sua liderança que a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se tornou única representação dos palestinos reconhecida no Oriente Médio. De terrorista, para o qual todos os meios eram válidos na luta pela independência, ele se tornou um político capaz de fechar acordos com o arquiinimigo Israel, tendo recebido por isso o Prêmio Nobel da Paz em 1994.

Negligências do líder – No entanto, Arafat não trouxe a seu povo a paz nem um Estado. Encorajado pelo sucesso da primeira Intifada em fins dos anos 80, ele não tomou providências quando os palestinos começaram um novo levante armado no verão de 2000, após o fracasso das negociações de paz com Israel. A impressão era de que se concretizava aquilo que seus críticos afirmavam a seu respeito: que Arafat nunca desperdiçava a chance de perder uma oportunidade. Além de escombros e montanhas de cadáveres, esta nova Intifada não trouxe nada aos palestinos.

Mesmo entre os palestinos, levantavam-se vozes censurando abertamente sua atuação frente à Autoridade Nacional Palestina, criticando que ele não permitia a formação de estruturas democráticas e não fazia nada para combater a corrupção e o nepotismo. Uma "mudança de mentalidade" e uma "revolução dentro do movimento" eram reivindicações que se ouviam no seio da própria organização Fatah. Mas Arafat continuava fazendo apenas da boca para fora promessas de dividir o poder. E nunca pensou em preparar um sucessor.

Dois a postos para a sucessão – O atual primeiro-ministro, Ahmed Kureia, e seu infeliz antecessor, Mahmud Abbas, são há anos correligionários de Arafat. Nenhum dos dois tem o peso político do presidente agora morto, mas para ambos existe em compensação a perspectiva de serem reconhecidos por Israel como parceiros de negociações. Pois foi a pessoa de Arafat que o governo de Israel qualificou de "irrelevante", excluindo toda e qualquer negociação de paz com ele. Agora poderia haver um parceiro para as negociações. Arafat teria então, com sua morte, preparado o caminho para a paz.

Mas essas esperanças – como já aconteceu tantas vezes no Oriente Médio – também podem se diluir com rapidez. Uma nova irrupção de violência nos territórios ocupados – desta vez entre grupos palestinos rivais – daria origem a um novo caos e mobilizaria o Exército israelense. O Estado palestino – que Yasser Arafat não foi capaz de concretizar – continuaria então sendo apenas um sonho.

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