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Cultura

Morre o "James Dean alemão"

Faleceu na última segunda-feira (3) o ator alemão Horst Buchholz, conhecido, entre outros, por sua atuação na sátira política "Cupido Não Tem Bandeira", de Billy Wilder e em "Tão Longe, Tão Perto", de Wim Wenders.

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Horst Buchholz como o comunista em "Cupido Não Tem Bandeira", de Billy Wilder

Horst Buchholz fica na memória cinematográfica como o comunista que seduz a filha de um executivo da Coca-Cola, quando este se encontra em Berlim Ocidental tentando negociar a entrada do refrigerante "do outro lado". Uma sátira genial da guerra fria e das tensas relações entre os EUA e a União Soviética, Cupido Não Tem Bandeira (1961) trouxe na boca de Buchholz algumas das tiradas hilárias de Billy Wilder, como "o capitalismo brilha, mas cheira mal".

A entrada de Buchholz no mundo do cinema tinha se dado poucos anos antes, com alguns sucessos como Die Halbstarken (Os Valentões), dirigido por Georg Tressler. No filme, o ator incorpora a imagem que o acompanharia por toda a carreira: a do jovem rebelde, que acabou lhe rendendo o título de "James Dean alemão". Entre os sucessos de Buchholz na tela, destaca-se Mompti (1957), onde o ator contracena com a ainda jovem Romy Schneider.

Hollywood e TV - Após a fase rebelde sem causa dos anos 50, vieram ainda alguns papéis em Hollywood na década de 60, quando o ator incorporou na tela de Cervantes a Marco Polo, passando por Johan Strauss. Entre participações no cinema inglês, espanhol, italiano e francês, alguns papéis, segundo reza a lenda, quase chegaram às suas mãos: o Rocco de Visconti é um deles. A partir da década de 70, no entanto, o então celebrado ator alemão "que conseguiu chegar a Hollywood" acabou sendo obrigado a entregar sua alma à telinha, pela qual havia manifestado até então um certo desdém.

Wenders e Benigni - No entanto, entre uma produção e outra para TV, Buchholz voltava sempre ao palco, sua paixão confessa. Nos anos 80, o reconhecimento pelo mérito de sua carreira veio com o convite para a participação em Tão Longe, Tão Perto (1993), de Wim Wenders, quando atuou ao lado de Otto Sander e Bruno Ganz. Cinco anos mais tarde, Buchholz viria a encarnar o médico e oficial nazista de A Vida é Bela, de Roberto Benigni.

Em outubro do ano passado, o ator havia desmaiado durante os ensaios de uma peça de teatro em Berlim. Em dezembro último, sofreu fraturas graves em conseqüência de um tombo. Desde então, segundo informações dadas por sua mulher, a francesa Myriam Bru, o ator passou por uma fase de falta total e completa de apetite. Após ter tido alta de uma clínica de recuperação no último mês, Horst Buchholz falceu no Hospital Charité, em Berlim, na última segunda-feira (3/3).