Morre escritor Carlos Heitor Cony | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 06.01.2018
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Cultura

Morre escritor Carlos Heitor Cony

Membro da Academia Brasileira de Letras sofreu falência múltipla dos órgãos aos 91 anos. Ao longo da carreira de romancista e jornalista, ele acumulou uma série de prêmios, incluindo três Jabutis.

Carlos Heitor Cony

Cony na Feira do Livro de Frankfurt em 2013

O escritor e jornalista Carlos Heitor Cony morreu na noite desta sexta-feira (05/01) aos 91 anos, noticiou a imprensa brasileira neste sábado, após confirmação da Academia Brasileira de Letras (ABL). Cony estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, e morreu após falência múltipla dos órgãos.

Nascido no Rio de Janeiro em 1926, ele publicou seu primeiro romance, O ventre, na década de 1950, quando também iniciou a carreira de jornalista. Cony escreveu para o Jornal do Brasil e o Correio da Manhã, e foi preso várias vezes durante a ditadura militar. Atualmente, o carioca era cronista da Folha de S. Paulo e comentarista da rádio CBN.

Leia também: "A letra foi minha salvação", diz Cony

Em entrevista à DW Brasil durante a Feira do Livro de Frankfurt de 2013, que teve o Brasil como país homenageado, Cony contou detalhes de sua trajetória jornalística e da motivação para a literatura, iniciada na infância.

"Sinto-me mais à vontade como escritor. Sou jornalista por acaso", disse. 
Cony revelou na entrevista que a motivação para a literatura surgiu devido a um defeito de nascença na fala. Ele era mudo e só começou a falar aos dez anos, com dificuldade. 

"Peguei um caderno e comecei a escrever as palavras que dizia errado. E descobri que ali estava meu futuro: a letra. Passei a me comunicar com as pessoas por bilhetes. A letra foi a minha salvação", disse.

Ele contou ainda que recusou o convite para entrar na ABL diversas vezes até finalmente aceitá-la em 2000, aos 74 anos de idade. 

"Em 1964, houve um movimento no setor da cultura nacional para eu entrar, porque iriam convidar o presidente da República, o marechal Castello Branco, para ser da academia. Eu seria uma candidatura de protesto. Mas não aceitei, porque protestava contra ele como deveria protestar: através do jornal", contou. "Recusei o convite muitas outras vezes por acreditar que literatura é uma coisa, e política é outra."

Cony acumulou diversos prêmios em sua carreira literária, incluindo três Jabutis e o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra (1996). Os romances Quase Memória e A Casa do Poeta Trágico ganharam o Prêmio Livro do Ano em 1996 e 1997, conferido pela Câmara Brasileira do Livro.

LPF/ots/dw

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