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Mundo

Morre aos 94 anos criador do fuzil AK-47

Inventor autodidata criou em 1947 o rifle automático mais popular do mundo, com 100 milhões de unidades vendidas. Celebrado como herói na URSS, Mikhail Kalashnikov lamentava uso injusto de sua invenção.

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Mikhail Kalashnikov

Morreu nesta segunda-feira (23/12), aos 94 anos, o russo Mikhail Timofeyevitch Kalashnikov, inventor do fuzil de assalto que, mesmo seis décadas após criado, é considerado o mais usado do mundo.

Kalashnikov nasceu em 10 de novembro de 1919 em Kurya, no território russo de Altai. Seu fuzil de assalto com o carregador em curva, cuja denominação oficial é AK-47, já foi fabricado 100 milhões de vezes – o equivalente a uma unidade para cada 70 habitantes do planeta.

O inventor autodidata o projetou em 1947, como "arma perfeita para a defesa da pátria", sobretudo por sua confiabilidade e simplicidade. Em 82 Exércitos nacionais do mundo, o AK-47 é a arma padrão da infantaria. Entre outros efeitos, ele tornou os conflitos armados mais baratos.

Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em alguns países o fuzil de fabricação russa custa 1.500 dólares, em outros até menos de 300 dólares. Nas guerras civis da África, são geralmente as crianças-soldado a empregá-las.

Ein zwölfjähriger Kindersoldat in der Stadt Bo in Sierra Leone präsentiert seine Kalaschnikow

AK-47: lamentável protagonista dos conflitos na África

Na antiga União Soviética, Mikhail Kalashnikov foi celebrado como herói por sua invenção. Nas comemorações de seu 90º aniversário, porém, ele manifestou também crítica em relação à própria criação, lamentando que ela estivesse "longe de só servir a metas justas".

Em 2002, o ex-militar declarou ao jornal britânico The Guardian: "Gostaria de ter inventado um cortador de grama." Em outra ocasião afirmara que, se a guerra não tivesse ido procurá-lo, ele seguramente não teria criado esse fuzil automático. Hoje, a família Kalashnikov segue explorando a marca, mas sobretudo para a venda de produtos sem ligação com a guerra, como vodca ou pranchas de snowboard.

A saúde de Kalashnikov vinha seriamente abalada e, nos últimos meses, ele dera entrada no hospital diversas vezes. Desde o ano passado, deixara de trabalhar, sobretudo devido a problemas cardíacos.

Em novembro, após um mal-estar, foi internado, sob perigo de vida, numa clínica de Ijevsk, capital da república de Udmúrtia, onde, segundo as autoridades locais, ele morreu nesta segunda-feira. Nessa mesma cidade, cerca de 1.100 quilômetros a sudeste de Moscou, é até hoje produzida a arma que leva o nome de seu inventor.

AV/afp/dpa/rtr

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