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Cultura

Morre a criadora de "Pippi Meialonga"

Aos 94 anos de idade, a autora sueca Astrid Lindgren faleceu nesta segunda-feira.

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Astrid Lindgren abraça a atriz Tami Erin Klicman, papel-título em "As novas aventuras de Pippi Meialonga", de 1986

A mais famosa autora de livros infantis da Suécia está morta: após longa enfermidade, Astrid Lindgren faleceu nesta segunda-feira, aos 94 anos, em sua casa em Estocolmo. Não faz muito tempo que ela dissera que gostaria de morrer, sim, "mas não hoje, nem amanhã, e sim mais tarde".

Lindgren foi a criadora de Pippi Meialonga, a heroína de muitas infâncias nas últimas décadas: uma espécie de Emília do Sítio do Picapau Amarelo para os europeus.

O rei Carl XVI Gustaf da Suécia manifestou seu pesar pela perda de Lindgren, elogiando-a como uma "escritora ímpar", cuja obra teve grande significado para a família real. Seus livros fascinaram grandes e pequenos em todo o mundo, acentuou o monarca. O primeiro-ministro Göran Persson também lembrou que "todos nós lemos os seus livros, primeiro como crianças, depois como pais".

O já clássico Pippi Meialonga foi o seu primeiro livro, escrito em 1944, e editado no ano seguinte em seu país. A atividade literária começou por mero acaso: uma fratura do tornozelo a forçara a guardar o leito. Assim Lindgren imaginou Pippi, de cabelos bem ruivos e sardenta, que vive aventuras emocionantes em companhia de seu cavalo e de um macaco.

A autora de sucesso começou por acaso

Quatro anos mais tarde o livro foi lançado na Alemanha, onde vendeu seis milhões de exemplares. Ao todo, suas mais de 70 obras infanto-juvenis encontraram mais de 25 milhões de entusiásticos leitores, apenas na Alemanha. Segundo a diretora da Editora Friedrich Oetinger, sem Lindgren a casa simplesmente não existiria. Seus livros foram lançados em numerosos idiomas, inclusive no Brasil, além de haverem sido, em parte, filmados.

Entre as distinções que a escritora sueca mereceu estão o International Book Award da Unesco de 1973, o Prêmio Nobel Alternativo da Literatura de 1994, e o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, em 1978. A instituição que concedeu este prêmio justificou assim a escolha: "Sua obra presenteia as crianças com fantasia – um tesouro inalienável – e reforça a confiança delas na vida". Nesta ocasião, Astrid Lindgren pronunciou seu famoso discurso "Violência jamais".

A autora, que de resto destacou-se pelo empenho por causas humanitárias, foi também responsável por uma fundação para crianças deficientes. Certa vez declarou: "Se já pude trazer alguma alegria a uma única infância triste que seja, então alcancei algo na vida". O conto de fadas Mio, meu Mio é considerado sua obra-prima.

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