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Cultura

"Moritat": cantando o fascínio do hediondo

Em sua "Ópera dos Três Vinténs", Brecht contribuiu para manter vivo um gênero de canto de rua. Também conhecido como "küchenlied", é uma espécie de romance criminal musicado, tradicional do século 19.

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Com a 'Moritat de Mackie Messer' Brecht eternizou esse gênero popular

Sem dúvida, a melodia mais famosa da Ópera dos Três Vinténs é ouvida logo no prólogo: trata-se de Die Moritat von Mackie Messer, conhecida em português como A balada de Mac Navalha. O website allmusic.com registra 605 gravações, somente da versão em inglês, transformada por Louis Armstrong num jazz-standard, sob o título Mack the Knife. Legendária é também a roufenha versão do próprio Bertolt Brecht, gravada já em 1928.

Na já clássica Ópera do Malandro, a versão "carioquizada" da peça brechtiana, Chico Buarque utiliza a melodia de Kurt Weill para introduzir assim seu protagonista com um toque sociopolítico:

O malandro tá na greta
Na sarjeta do país
E quem passa acha graça
Na desgraça do infeliz.

A apresentação de Brecht é mais personalizada: ele enumera com distância irônica alguns dos mais ignóbeis crimes do bandido Mac Navalha. Para tal, faz uso de uma forma de canto de rua muito popular na Alemanha no século 19 e praticamente extinta por volta de 1930: a moritat.

Assassinatos , mutilações e estupros

O próprio nome já antecipa o conteúdo: deduz-se que moritat venha de " Mordtat" (homicídio). Crimes hediondos – assassinatos, mutilações, estupros –, de preferência com base em acontecimentos reais, são de fato o tema focal desse tipo de canção.

Bänkelsaenger

O pintor Watteau (1758-1823) retratou um cantador da época em 'Le Violoneux'

Sabinchen war ein Frauenzimmer, datada da primeira metade do século 19, é um exemplo clássico. Ela relata como a "bela e virtuosa" criada Sabinchen é seduzida e tornada cúmplice de roubo por um "sapateiro de Treuenbrietzen", inescrupuloso e beberrão. Acusada do delito, é expulsa da casa dos patrões. Ela amaldiçoa o amante – "cão preto, desgraçado" – que, em resposta:

"Tomou duma navalha / E a garganta lhe cortou. // O sangue jorrou aos céus, / No ato Sabinchen tombou."

Contudo o crime é descoberto, o assassino fica preso "até sua fria sepultura". Moral da história:"Nunca confie num sapateiro. / Tantas vezes vai a jarra ao poço / Que um dia a alça quebra".

Comparemos com o tom da moritat de Brecht (em tradução literal): "E o tubarão tem dentes / E os traz na cara, / E Macheath tem uma faca / Mas a faca não se vê. [...] Jenny Towler foi encontrada / Com uma faca no peito. / E pelo cais vai Mackie Messer / Que da coisa nada sabe. // E o grande incêndio de Soho, / Sete crianças e um velho. / E, na multidão, Mackie Messer, / A quem nada se pergunta e que nada sabe". Leia na próxima página sobre as origens medievais da moritat

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