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Alemanha

Monumento e memória

Enquanto o Memorial dos Judeus Assassinados da Europa está sendo construído, críticos advertem para uma “hierarquização” dos diferentes grupos de vítimas. Alguns continuam sendo ignorados.

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O polêmico memorial, com o Reichstag ao fundo

O Parlamento alemão aprovou em 25 de junho de 1999 a construção em Berlim do Memorial para os Judeus Assassinados da Europa. Seguindo o lema “Futuro requer lembrança”, ele deverá funcionar como centro de memória e advertência, ligado a outros monumentos e instituições. Além do memorial, também deverá haver um centro de informação. A iniciativa do projeto partiu de um círculo de interessados em torno da jornalista Lea Rosh, em 1988.

A Fundação Memorial para os judeus assassinados da Europa — entidade independente — foi encarregada da realização do projeto. Ela se comprometeu a “assegurar a lembrança e a devida celebração da memória de todas as vítimas do nazismo”. Entretanto, o círculo de incentivo encabeçado por Lea Rosh se recusou a planejar um memorial junto com outras associações de vítimas do nazismo, como ciganos, homossexuais ou deficientes, ao contrário do que estas queriam.

Isso desencadeou um amplo debate sobre a importância de se criar um memorial comum a todas as vítimas do terror nazista ou um dedicado apenas ao maior grupo de vítimas, os judeus. O historiador Eberhard Jäckel acredita que “o assassinato dos judeus europeus foi um fenômeno singular e merece portanto um memorial próprio”.

Tratamento igualitário de todas as vítimas

Por outro lado, o rabino Andréas Nachama, diretor da fundação Topografia do Terror, adverte contra uma hierarquização dos diferentes grupos de vítimas. O memorial para os judeus assassinados da Europa só será aceito – prevê o ex-presidente da comunidade judaica de Berlim – se também houver um “espaço decente” para se celebrar a memória dos ciganos, homossexuais e vítimas de eutanásia.

Frauen in Auschwitz

Mulheres em fila para trabalho forçado em Auschwitz

O memorial de Berlim é apenas um entre diversos centros de homenagem e celebração espalhados em todo o mundo. Os mais conhecidos são o Yad Vashem, em Jerusalém, e o Museum of Jewish Heritage, em Nova York. Neste ano, será inaugurado em Budapeste o Museu do Holocausto, instalado numa sinagoga vazia. A abertura oficial, na presença do presidente de Israel, está marcada para 16 de abril próximo, por ocasião dos 60 anos do início do holocausto húngaro.

A construção do Memorial para os Judeus Assassinados da Europa, em Berlim, começou em abril de 2003. Em comparação com outros memoriais no exterior, o que singulariza o de Berlim é sua dimensão, acredita Reinhard Rürup, da Fundação Topografia do Terror. Ao comparar os memoriais e a discussão sobre o holocausto na Alemanha e no exterior, Rürup faz a ressalva de que a situação na Alemanha é bem diferente, o que não poderia deixar de ser.

Celebração da memória das vítimas

Em outros países, o que está em primeiro plano é realmente a memória da vítimas, enquanto na Alemanha, o foco são os culpados e a sociedade que compactuou com o holocausto. Rürup também é contra uma hierarquização das vítimas. Para ele, embora o assassinato dos judeus seja um fenômeno singular na história da humanidade, é necessário levar a sério todas as outras vítimas – e cada uma delas.Em 1996, o dia 27 de janeiro foi declarado o dia da memória das vítimas do nazismo. A data marca a libertação do campo de concentração de Auschwitz em 1945, centro do extermínio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Reinhard Rürup é contra a decisão tomada na época pelo presidente Roman Herzog. Afinal, a data pode dar a impressão de que os judeus estejam no centro da homenagem. Na sua opinião, uma data como o 1º de setembro (início da guerra em 1939) tornaria mais nítida a dimensão européia do terror nazista.

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