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Economia

Montadoras alemãs enfrentam crise no Brasil

Unidades brasileiras da Volkswagen, Mercedes e Audi têm graves problemas, gerando questionamentos sobre o planejamento adotado pela indústria automotiva de capital alemão no país.

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Nuvens negras pairam sobre a indústria automotiva alemã no Brasil

A direção da Volkswagen do Brasil ameaçou recentemente fechar a unidade da empresa em São Bernardo do Campo, instalada há cerca de 50 anos. A Audi, subsidiária da Volks, anunciou este mês o encerramento da produção do modelo A3 no país, que acontecia no município paranaense de São José dos Pinhais. A fábrica de automóveis da Mercedes, em Juiz de Fora (MG), opera no vermelho desde a sua inauguração em 1999.

A tendência vai em direção contrária aos dados da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), que mostram crescimento nas vendas de automóveis para o mercado brasileiro desde 2003. Além disso, montadoras como Fiat e Honda têm feito novos investimentos e contratações, e a Ford trabalha com capacidade máxima em suas unidades no Brasil.

Estratégia errada

Segundo José Lopez Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os problemas enfrentados pelas montadoras alemãs têm como causa graves erros de estratégia e planejamento. Para justificar seu ponto de vista, o sindicalista salienta o crescimento da maioria das indústrias do setor automotivo instaladas no país. "Volkswagen e Mercedes estão andando na contramão", diz Feijóo.

Forum DAAD, Aroaldo de Oliveira

Oliveira: Mercedes "errou feio" em Juiz de Fora

O líder sindical faz severas críticas a algumas das decisões mais recentes do grupo Volkswagen. "Fabricar o Audi e o Golf no Brasil foi um grande equívoco", opinou, argumentando que os veículos são caros para o mercado brasileiro.

De acordo com Feijóo, para piorar a situação, a Volks não se moderniza no país. "Ao contrário da concorrência, a VW não oferece uma minivan ao mercado nacional, não tem uma picape de grande porte, a perua van (Kombi) já tem 50 anos de idade e o carro popular (Gol), 27 anos. Perder mercado é uma conseqüência natural dessa postura", avalia.

Crise na VW

Os números da Anfavea dão razão ao sindicalista. A Volkswagen, que durante décadas ocupou a liderança isolada da venda de automóveis no país, perdeu o primeiro posto para a Fiat no início desta década e atualmente disputa a terceira posição com a General Motors.

Após uma queda-de-braço entre a direção da Volks e o Sindicato dos Metalúrgicos, causada por um plano de demitir 3600 funcionários, foi fechado um acordo entre a montadora e os trabalhadores para escalonar os cortes até 2008, por meio de um programa de demissões voluntárias. No pior momento da crise, na segunda quinzena de agosto, houve greve e ameaça por parte da direção da empresa de fechar a fábrica.

Déficit crônico

A situação da Daimler-Chrysler (Mercedes) no Brasil também não é boa. Embora as vendas de ônibus e caminhões estejam em crescimento, a unidade de Juiz de Fora, inaugurada em 1999 para produzir o modelo Classe A, nunca deu lucro. Segundo o jornal Diário do Comércio, de Belo Horizonte, a fábrica funciona "em situação de déficit crônico" e tem operado com menos de 10% de sua capacidade produtiva.

VW Brasilien Streik in Sao Bernardo do Campo

Trabalhadores da Volkswagen do Brasil cruzaram os braços em agosto

Para o sindicalista Aroaldo de Oliveira, do Sindicato dos Metalúrgicos e funcionário da unidade da Mercedes de São Bernardo do Campo, a montadora também "errou feio" ao definir sua estratégia para o Brasil. "Eles dimensionaram uma fábrica para um carro de valor muito alto para o mercado brasileiro (Classe A). É lógico que daria errado", afirmou.

Oliveira afirmou ainda que, para se instalar no Brasil, a Mercedes recebeu "incentivos fiscais desproporcionais do governo de Minas Gerais e do governo federal, sem nunca ter dado sua contrapartida em termos de geração de empregos".

Ameaça de fechamento

A Daimler-Chrysler anunciou em julho que vai produzir em Juiz de Fora, a partir de 2007, o Classe C Sports Coupé, viabilizando a manutenção dos atuais 1100 trabalhadores da unidade. Porém, ainda de acordo com o Diário do Comércio, o anúncio não foi suficiente para dissipar os temores de que a fábrica será fechada em um futuro próximo.

A DW-WORLD procurou as assessorias de imprensa da Volkswagen e da Daimler Chrysler na Alemanha, para que as empresas pudessem comentar suas estratégias para o Brasil. Porém, as solicitações não foram respondidas.

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