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Brasil

Moniz Bandeira relata a reunificação alemã

Moniz Bandeira analisa as causas e conseqüências da reunificação da Alemanha num amplo contexto, ressaltando o papel das duas superpotências, a União Soviética e os Estados Unidos, nos bastidores.

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"O Muro de Berlim está prestes a cair." Esta declaração foi publicada no começo de 1989 por uma revista francesa e atribuída ao embaixador Vernon Walters, que acabara de ser nomeado representante dos Estados Unidos junto ao governo de Bonn, mas ainda não assumira o posto.

Apesar dos graves conflitos políticos que já existiam na Alemanha Oriental, as reações iniciais à previsão de Walters foram as mais contraditórias, de incredulidade a ridicularização. Isto já foi diferente quando ele repetiu a declaração, em setembro de 1989, numa entrevista ao jornal International Herald Tribune.

Vernon Walters era um dos mais respeitados estrategistas da política externa dos Estados Unidos, um poliglota capaz de falar sete idiomas utilizando até mesmo dialetos locais e profundo conhecedor da política interna de inúmeros países, inclusive o Brasil: durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi o oficial de ligação com as tropas brasileiras da FEB e, na década de 60, foi adido militar no Rio de Janeiro.

Para Walters, o ponto alto da sua carreira diplomática foi, contudo, a participação como embaixador americano no processo internacional de negociações, que acabou levando à reunificação da Alemanha.

No prólogo da segunda edição do seu livro A Reunificação da Alemanha – Do Ideal Socialista ao Socialismo Real, Luiz Alberto Moniz Bandeira relata seu encontro com Vernon Walters pouco depois da queda do Muro de Berlim.

Ao lado do embaixador americano, as fontes diretas do autor foram também alguns dos principais dirigentes da extinta RDA, destacando-se Günter Schabowski: pessoas que não apenas viveram o momento histórico, mas desempenharam papéis ativos no seu desenrolar. Moniz Bandeira acompanhou de perto todo o processo da queda do Muro de Berlim, fato que marcou o início de uma nova era da História mundial.

O livro do professor emérito de Ciências Políticas da Universidade de Brasília está sendo relançado agora, em segunda edição revista e ampliada, pelas editoras Universidade de Brasília e Global: uma leitura imprescindível para quem se interessa pelos acontecimentos que precederam e provocaram a queda do Muro de Berlim, a 9 de novembro de 1989, tendo como conseqüência final a reunificação da Alemanha e o fim da divisão da Europa em dois blocos políticos.

"Professor de Alemanha"

Carl Goerdeler, um dos mais conceituados correspondentes internacionais da imprensa alemã, publicou recentemente um artigo no qual tece grandes elogios à obra do autor baiano: "O brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira é cientista político e, mais exatamente, o único especialista no Brasil que, em numerosas obras, sempre analisou a Alemanha e sua história.

A sua palavra tem peso, sua voz é ouvida. Pode-se dizer sem exagerar que Luiz Alberto Moniz Bandeira é alguma coisa parecida a um praeceptor germaniae no meio acadêmico brasileiro. Através dele, a história alemã tem uma voz no Brasil – e isso é bom assim. (…) É difícil citar outros livros que relatem de forma tão ampla e exata de Karl Marx e Bismarck (ambos, patriotas alemães a modo próprio), passando por Kautsky, pelo destino dos socialistas alemães, pelo relacionamento com a então jovem União Soviética, com Lenin, Stalin, até à divisão alemã, aos 'caminhos especiais' alemães e, finalmente, a Honecker e seu 'socialismo real', que se 'nutria de ilusões', segundo Moniz Bandeira, e tinha de desmoronar."

O livro de Moniz Bandeira não se limita a descrever os fatos. Ele analisa as suas causas e conseqüências num amplo contexto, ressaltando também o papel desempenhado nos bastidores pelas duas superpotências, a União Soviética e os Estados Unidos. O grande mérito da obra, no entanto, é que ela desfaz inúmeros enganos correntes sobre a sociedade e a política alemãs, bem como sobre a mentalidade dos alemães. Analisando o desenvolvimento da Alemanha no contexto europeu desde meados do século XIX, o autor demonstra não haver razão para receios quanto aos rumos futuros da Alemanha unificada.

No seu artigo, Carl Goerdeler também chama a atenção para esse mérito da obra: "Se estudantes de Ciências Políticas, historiadores e todos os brasileiros interessados na Europa lessem o livro de Moniz Bandeira sobre a reunificação alemã, não precisariam temer os clichês sobre os alemães, ainda muitas vezes divulgados pela Imprensa brasileira. Para todos os interessados em História, a obra de Moniz Bandeira, agora revista e atualizada, é leitura obrigatória."

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