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Economia

Moeda forte, nervos fracos

Enquanto políticos e líderes da economia colocam panos quentes, o empresariado alemão sua frio com a cotação do euro em alta permanente.

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Época de vacas gordas para o euro

Nesta sexta-feira (23), o euro ultrapassou pela primeira vez a sua cotação de lançamento (1,18 dólar), em 5 de janeiro 1999. Por volta do meio-dia, a moeda única européia alcançou 1,1809 dólar. Na véspera, o Banco Central Europeu fixara a cotação de referência em 1,1720 dólar.

Segundo o comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, é restrita a influência do dólar fraco sobre a economia da EU: "Se por um lado o dólar mais barato afeta a competitividade de nossas exportações, por outro ele possibilita a importação de energia a preços mais baixos, e esta colabora para nossas exportações". Em entrevista à Deutsche Welle, o presidente do Bundesbank, Ernst Welteke, também vê aspectos positivos na atual situação: como as importações custam menos, "fica mais dinheiro no país".

Mais uma vez, o fantasma da recessão

Só que essa moeda também tem um outro lado: poucas empresas alemãs asseguraram-se contra a flutuação das cotações. O grupo Volkswagen acusou, já no ano passado, uma redução de seus lucros em 500 milhões de euros, e a situação deverá se repetir em 2003. Para o conglomerado de transportes aéreos e espaciais EADS, que recebe em dólares, a queda de faturamento também foi drástica. Os faturamentos da Siemens caíram 14% e os da SAP, 20%. Nestes e em vários outros casos, a culpa é do euro forte.

Entre as mais afetadas estão as indústrias de automóveis e maquinarias, que produzem preferencialmente na Europa e exportam para os Estados Unidos. Elas têm que pagar os salários e as peças de montagem na moeda forte, enquanto recebem em dólares. Ao trocá-los por euros, aumenta o prejuízo. E, se para compensá-lo, aumentam seus preços nos EUA, caem as vendas.

Não apenas empresas isoladas estão sob ameaça, mas sim a economia alemã como um todo. Pois até agora a exportação era o único apoio da sofrida conjuntura. Caso este seja retirado, adverte Peter Bofinger da Universidade de Würzburg, "corremos perigo de entrar em recessão".

EUA lucram com dólar fraco

Enquanto os alemães coçam a cabeça, os americanos esfregam as mãos. O secretário norte-americano do Tesouro, John Snow, diz claramente que um dólar fraco - o outro lado da medalha do euro forte - é bom para a indústria americana, que precisa exportar mais. O presidente do Federal Reserv, Alan Greenspan, pouco faz contra a queda do dólar e mantém os juros baixos.

Como, além do mais, a confiança na economia estadunidense diminiu, diante do gigantesco déficit do orçamento e do balanço de pagamentos, os fundos de investimento e mesmo os bancos centrais converteram suas reservas e divisas à moeda européia. A Rússia, China e Taiwan aumentaram suas aplicações em euro, afinal, os juros são mais altos na Europa do que nos EUA. A demanda pelo euro aumenta, e com isso, sua cotação.

Previsões: euro a US$ 1,30

As chances de que o dólar se recupere consideravalmente são poucas, avaliam os especialistas. "Tendências no mercado de divisas despencam como avalanches", diz um economista citado pela revista online Spiegel: "quanto maior a sua dinâmica, mais difícil detê-las". Até o fim do ano, o euro poderá chegar a 1,30 dólar.

Razão suficiente para tirar o sono de muitos empresários alemães, pois analistas de bancos estimam que somente a metade das empresas alemãs assegurou uma possível queda de receita ou faturamento através de negócios a termo ou opções. Principalmente as pequenas e de médio porte evitam esses gastos complementares, sujeitando-se a um grande risco.

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