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Economia

Modelo alemão deixa de pressionar os franceses

O complexo da França com a pujança da Alemanha cedeu lugar a preocupações com a conjuntura, pois os franceses estão cada vez mais conscientes da importância capital do bem-estar do país vizinho para eles.

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Gerhard Schröder (dir) e Jean-Pierre Raffarin em Berlim

Os franceses continuam admirando a grande estabilidade social do outro lado do rio Reno. Mas a baixa taxa de natalidade e a falta de reformas sociais na Alemanha geraram entre eles a imagem de uma sociedade arcaica. E assim, segundo o jornalista Ploquim, será muito difícil para Berlim continuar a exercer o seu papel de motor da União Européia, em parceria com a França.

"Em função do seu tamanho, o mercado alemão ainda é uma locomotiva importante para a Europa, mas isto talvez seja menor a curto prazo", profetizou Pierre Bilger, presidente do grupo empresarial de máquinas e instalações Alstom.

"Japanização" da Alemanha

Empresários e intelectuais franceses gostam de comparar a Alemanha com o Japão. Eles acham que, assim como os japoneses, os alemães estão começando a sofrer com o envelhecimento de sua população e suas estruturas econômicas rígidas, disse Henri de Castries, presidente da companhia de seguros Axa. Para os franceses, esta "japanização" representa o perigo de a Alemanha, em vez de investir em educação e pesquisa, subvencionar o seu sistema de aposentadorias para adiar as reformas necessárias.

Muitos franceses perderam seu fascínio pelo "modelo Alemanha". Por exemplo: os políticos se esforçaram durante duas décadas por uma política de estabilidade à imagem e semelhança do modelo alemão e também para submeter a população francesa aos ditames da política monetária do Bundesbank com o forte marco alemão (moeda substituída pelo euro). Agora eles estão decepcionados. "De repente, Berlim anunciou que não pode cumprir os critérios para a estabilidade do euro", queixou-se René Lasserre, reitor da Universidade Cergy-Pontoise. O modelo econômico alemão perdeu credibilidade.

Mulheres sem chance

Muitos franceses acham especialmente arcaica a política de família da Alemanha. "É incrível que muitos dos meus conhecidos alemães achem que o nascimento de um filho significa o fim da carreira da mulher, porque não há creches nem escolas de tempo integral para todas as crianças", exemplificou o jornalista Ploquim. Investimentos de quatro bilhões de euros nesse setor foram uma das promessas mais importantes do chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, na campanha eleitoral de 2002, para possibilitar às mulheres a chance de ter filhos e fazer carreira ao mesmo tempo.

Outro paradoxo apontado por Ploquim: enquanto a França tem uma taxa de natalidade de quase 2% e as ruas de muitas cidades estão repletas de carros de bebê, isto é cada vez mais raro na Alemanha.

Autoconfiança francesa

A França parece, ao mesmo tempo, cada vez mais autoconfiante. As inquietações dos franceses com um novo possível gigante no centro da Europa, depois da reunificação da Alemanha, cederam lugar a uma nova autoconfiança. Desde 1995 que o Produto Interno Bruto francês (PIB) cresce mais do que o alemão. Agora mesmo foi anunciada uma taxa de 0,2% em 2002, em vez do 1,5% esperado por Berlim. A França também teve mais sucesso no combate ao desemprego.

Mas ainda restam muitos motivos para se admirar a Alemanha. Empresários franceses apontam, por exemplo, as relações estáveis entre entidades patronais e os sindicatos de trabalhadores. Para o construtor de máquinas Bilger, assim como a Alemanha, a França também precisa de reformas no mercado de trabalho, mas os sindicatos alemães são muito mais confiáveis do que os franceses.

Motor da União Européia

Diferenças à parte, os governos alemão e francês continuam lubrificando o motor da União Européia que formam juntos. Na terça-feira (15), o chefe de governo alemão, Schröder, e o presidente Jacques Chirac, se encontraram em Paris, e anunciaram uma proposta conjunta de reforma da comunidade de 15 países. Na noite de quinta-feira (16), foi a vez de o primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, encontrar-se com Schröder em Berlim, quando ambos anunciaram que Alemanha e França vão se empenhar por mais crescimento econômico na União Européia. Para isso, os dois países pretendem mobilizar as suas reservas de crescimento, segundo os dois.

A despeito das diferenças apontadas pela imprensa e empresariado, Schröder disse que Alemanha e França tiveram taxas de crescimento semelhantes. "Nós nos encontramos em situação igual e queremos sair dela juntos", disse Schröder, recebendo aprovação de Raffarin. Este havia qualificado as políticas fiscal e de poupança da Alemanha como "bastante brutais" e disse que isso representa uma ameaça de enfraquecimento do PIB da União Européia.

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