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Alemanha

Moda atrás das grades

Que tal comprar um casaquinho, uma camisa, uma pasta ou um sapato feito à mão por detentos da penitenciária Tegel, em Berlim, a maior da Europa?

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Um par de tênis feito por um ladrão, uma calça costurada por um criminoso, uma pasta de couro montada por um estelionatário. A nova moda, ou melhor, modismo deste verão vem de Berlim, mais precisamente atrás das grades da penitenciária de Tegel. O local existe desde 1898, a comercialização do trabalho de seus ocupantes, por assim dizer, começou há poucos dias pela internet e é a grande sensação do momento.

Quem acessar o endereço www. haeftling.de vai encontrar uma boa oferta de roupas e acessórios comumentemente usados pelos presos e carcereiros, agora à disposição daquele consumidor que sempre alimentou o sonho secreto de vestir a típica camisa listrada em plena liberdade.

A idéia de comercializar esses artigos através da internet partiu do publicitário Stephan Bohle. Ao ler uma nota em um jornal que falava da lojinha na prisão Tegel, com produtos feitos pelos penitenciários, ele decidiu ir conferir de perto este tipo de negócio. Qual não foi sua surpresa ao se deparar com uma gama ampla de produtos, como churrasqueiras, brinquedos de madeira, lâmpadas e outros objetos, vendidos há anos em uma pequena sala da penitenciária.

Sem complicação

Quando foi analisar as roupas, logo percebeu o filão adormecido. "Esses artigos são de fácil comercialização se a gente incrementar com expressões como moda ou estilo de vida", pensou Bohle. Passados três meses, a venda por internet de roupas feitas por penitenciários já é uma realidade.

Basta o internauta escolher o produto, fazer o pedido e acertar o pagamento para receber em casa, por exemplo, um par de tênis feito à mão com um design totalmente diferente do que circula no comércio convencional. Detalhe: os pacotes são bem inspecionados antes de saírem da cadeia e o destinatário recebe em casa uma encomenda com a exclusiva palavra penitenciária como remetente.

Adaptando à moda exterior

Os preços são bem mais em conta se considerarmos que todos os produtos são de fabricação manual e portanto exclusivos. A camisa listrada custa 29 euros, um casaquinho de verão sai por 32 euros enquanto uma pasta de couro, no estilo usado pelos carcereiros, pode ser adquirida por 54 euros. Para agradar ao grande público, os presos puderam diversificar um pouco. Além do tradicional azul escuro, as jaquetas têm a mesma versão nas cores verde e laranja, para citar um exemplo.

Benefícios para todos

Nem tudo foi um mar de rosas desde a idéia até a concretização deste comércio eletrônico. No começo houve certa relutância por parte dos burocratas, embora a direção de Tegel tenha sido sempre receptiva ao projeto.

Como na maior penitenciária da Europa, com 1670 detentos, a porcentagem de homens sem uma ocupação diária é alta, em torno de 40%, toda a idéia que gere um emprego é bem-vinda. "O trabalho levanta a moral, os detentos têm uma atividade e com o pagamento que recebem podem comprar algumas coisas extras", revelou Ulrich Fehlau, responsável pelo setor laboral da penitenciária.

Além disso, o dinheiro gerado pela venda online também beneficia o Estado, que arrecada parte dos lucros, e a própria penitenciária, que investe na melhoria da infra-estrutura local.

Sucesso

Os presos estão curtindo o projeto. Os internautas também. Os pedidos são tantos que o prazo de entrega teve que ser ampliado de uma para até 12 semanas. De olho no futuro, o idealizador Stephan Bohle espera prosperar ainda mais neste negócio e já pensa em abrir uma loja fashion no centro de Berlim, com um estilo condizente com os produtos.

O local será decorado como uma cárcere e as cabines terão porta de ferro. Uma atmosfera ideal para a compra de uma roupa feita atrás das grades.

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