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Alemanha

Missa em latim provoca discussões entre católicos alemães

Missa em latim, padre de costas para os fiéis: novo decreto do papa Bento 16 autoriza a celebração da antiga missa e provoca reações de organizações católicas e de bispos alemães.

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Bento 16 permite missa em latim

O presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK), Hans Joachim Meyer, declarou-se cético quanto à reabilitação da antiga missa em latim através do "Motu Proprio" Summorum Pontificum, assinado pelo papa Bento 16, no sábado (07/07).

Através do "Motu Proprio" (documento publicado por sua própria iniciativa), Bento 16 reabilita a celebração da missa seguindo o antigo ritual do Concílio de Trento (1545-1563).

Se um número "estável" de fiéis assim desejar, já a partir de 14/09 próximo, fica permitida a celebração da antiga missa em sua versão mais recente, ou seja, na forma que tinha antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano 2° (1962-1965), em vigor a partir de 1970.

A celebração comum, na respectiva língua dos fiéis, continua sendo a regra. A antiga celebração, rezada em latim com o padre voltado com as costas para os fiéis, somente era possível, até agora, através de autorização especial.

Conservadores satisfeitos

Katholischer Gottesdienst

Padres pregarão de costas para os fiéis

Enquanto em meios conservadores o novo decreto é celebrado como forma de reconciliação com os tradicionalistas, Hans Joachim Meyer afirma que a grande maioria dos católicos alemães prefere a missa realizada em seu idioma vernáculo.

"No Império Romano, os apóstolos não pregaram a palavra de Cristo em aramaico (língua de Jesus), mas sim em latim ou grego", afirmou Mayer.

Já o conservador Fórum dos Católicos Alemães declarou estar satisfeito com a decisão de Bento 16, pois representaria uma reconciliação com os adeptos do bispo Marcel Lefèbvre, arcebispo católico francês excomungado em 1988, que se opôs às reformas do Concílio Vaticano 2°.

Reabilitação de Marcel Lefèbvre?

A ação iniciada pela fraternidade sacerdotal S. Pio 10°, fundada por Lefèbvre, informou que mais de mil padres em regiões de língua alemã estariam dispostos a celebrar a missa no antigo ritual.

Segundo Rainer Kampling, professor de Teologia católica na Universidade Livre de Berlim, existiriam cerca de 300 mil católicos adeptos do antigo rito. "Não é comum que se façam concessões a um grupo tão pequeno de fiéis", afirmou Kampling. Além disso, seria questionável se uma reconciliação com tal grupo seria possível. Para muitos tradicionalistas, somente a reabilitação da antiga missa não seria suficiente.

O texto papal não é claro, afirmou Rampling. A Conferência dos Bispos Alemães parte do princípio, por exemplo, que o antigo ritual não deve ser celebrado na Sexta-feira Santa, pois conteria passagens anti-semitas, o que vem gerando protestos de organizações judaicas, como a norte-americana Liga Antidifamação.

Bispos preocupados

Em declaração publicada na página de internet da Conferência dos Bispos Alemães, o presidente da Conferência, cardeal Karl Lehmann, afirma que a iniciativa de Bento 16 prestaria uma contribuição à reconciliação na Igreja.

Kardinal Karl Lehmann auf dem Weg zum Papst

Cardeal Karl Lehmann

No entanto, segundo o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung ( FAZ), o bispo teria enviado uma carta ao papa para tentar evitar a completa reabilitação do ritual tridentino. Em sua edição de segunda-feira (09/07), o FAZ afirma que o cardeal Karl Lehmann, juntamente com seu colega francês, o cardeal Jean-Pierre Ricard, teria se dirigido a Bento 16 pelo temor de possíveis tensões que a decisão papal pode vir a criar nos bispados e paróquias.

Além disso, o jornal afirma que, para Lehmann, a reabilitação proposta pelo documento papal tornaria questionáveis as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano 2°. A Conferência dos Bispos confirmou, na segunda-feira (09/07) em Bonn, o envio da carta, mas não seu conteúdo. (ca)

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