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América Latina

Missão da Unasul chega a Caracas em meio a ceticismo

Delegação de chanceleres tenta dissipar tensão política na Venezuela, agravada por prisão de opositores, denúncias de golpe e pela grave crise econômica. Em 2014, iniciativa semelhante terminou sem êxito.

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Protesto pede a libertação do prefeito de Caracas

Uma delegação de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) inicia nesta sexta-feira (06/03), em Caracas, uma nova tentativa de reativar o diálogo entre oposição e governo na Venezuela, estagnado desde meados do ano passado.

A missão desembarca na Venezuela em meio à maior crise do governo Nicolás Maduro – no poder desde a morte, há dois anos, de Hugo Chávez – e ao ceticismo de venezuelanos e observadores internacionais.

A Venezuela vive hoje grave crise econômica, com escassez de produtos básicos e a mais alta inflação da América do Sul, e enfrenta novamente o fantasma do golpe de Estado, o que amplia a tensão política em torno de Maduro.

"Saber que, ao redor do mundo, estão olhando para você com maus olhos desmoraliza o regime, ainda que ele não admita. Mas as manifestações de simpatia à oposição não vão surtir um efeito muito forte, se não forem acompanhadas de sanções econômicas", opina o analista político Fernando Mires, da Universidade de Oldenburg.

Tanto a Unasul quanto o governo brasileiro – o chanceler Mauro Vieira está presente na missão – têm evitado condenações a Maduro. Para o secretário-geral da organização, Ernesto Samper, a atual crise é fruto de “ingerências internacionais, falta de diálogo político interno e de uma situação social e econômica”.

Mais de 3.600 detidos

O principal desafio da Unasul é dissipar as tensões políticas geradas pela prisão arbitrária do prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, e pela

morte

do adolescente Kluivert Roa, baleado pela polícia durante um protesto contra o governo no estado ocidental de Táchira.

Mauro Luiz Iecker Vieira

Mauro Vieira é um dos integrantes da missão da Unasul

Segundo a ONG Fórum Penal Venezuelano, desde fevereiro do ano passado, quando começaram os protestos contra o governo, mais de 3.600 pessoas foram detidas durante manifestações. Delas, 62 seguem presas.

"A Guarda Nacional atua como se estivesse em situação de guerra e, ainda que não devamos generalizar, dizendo que todos os detidos foram agredidos, 138 deles denunciaram formalmente terem sido alvo de torturas, tratamento cruel e desumano", afirma Alfredo Romero, diretor da ONG.

Enquanto Maduro afirma que a delegação da Unasul busca "apoiar a democracia e a soberania na Venezuela", a oposição, ao mesmo tempo em que se diz "de braços abertos ao diálogo", reage com cautela à iniciativa.

Em meados do ano passado, uma missão da Unasul tentou iniciativa parecida, mas o diálogo, que contou até com representantes do Vaticano, foi interrompido pela oposição, à espera de medidas concretas por parte do governo Maduro.

RPR/dw/efe/dpa

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