Missão da UE e do FMI retorna a Atenas para avaliar esforços gregos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 16.01.2012
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Mundo

Missão da UE e do FMI retorna a Atenas para avaliar esforços gregos

Auditores vão verificar se país cumpriu condições para receber nova parcela de ajuda financeira. Sindicatos rejeitam mais cortes salariais e convocam greve no transporte público.

A Grécia alcançou um objetivo mínimo: o deficit do orçamento baixou para 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 e ficou, assim, pela primeira vez abaixo da importante marca psicológica de 10%, declarou o ministro grego da Economia, Michalis Chryssochoidis, em Atenas.

Diante das péssimas notícias que deixaram o país nos últimos meses, pode-se ver isso como um fato positivo. Mas pode-se também dizer que o resultado final foi ainda pior do que a meta já revisada de 9,1% prevista para 2011.

E é por isso que são esperadas medidas adicionais de contenção de despesas de até 1,5 bilhão de euros por parte do governo grego. Essa deverá ser uma das brigas da chamada troika – formada por representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional – com a Grécia. O grupo de especialistas, que chega nesta terça-feira (17/01) a Atenas, vai avaliar se o país endividado cumpriu as condições para receber a próxima parcela de ajuda financeira da União Europeia.

Reformas e cortes nos salários

Os próprios auditores externos já reconhecem que não há mais o que tirar dos aposentados e da população de baixa renda. Em vez disso, eles pressionam agora por reformas estruturais no mercado de trabalho, com o objetivo de reduzir os custos salariais e elevar a competitividade da economia grega.

Na mira estão pela primeira vez o salário mínimo e os bônus concedidos no Natal e nas férias, diz o advogado e professor Jannis Lixouriotis, da Universidade de Atenas. Mas mesmo isso seria insuficiente, afirma o especialista.

"O congelamento dos salários e o corte do bônus de Natal sozinhos não resolvem nada, empregados e patrões precisam sentar à mesa e negociar reformas estruturais profundas no mercado de trabalho", comenta Lixouriotis.

Ele também diz que não é justo limitar os salários de forma padronizada, sem atentar para a produtividade de setores da economia e de empresas.

Além disso, é preciso mais flexibilidade por parte dos empregadores, afirma o especialista. Segundo ele, muitas pessoas perdem o emprego porque o empregador não estaria disposto a oferecer outras tarefas ao empregado ou a permitir uma transferência de cidade.

"Bode expiatório"

Patrões e empregados vão se reunir para novas negociações pouco antes da chegada da troika a Atenas. Os sindicatos já anunciaram que rejeitam cortes nos salários e que vão negociar apenas diminuições nos custos salariais. Para esta terça-feira, data da chegada dos auditores da troika, foi convocada uma greve no transporte público da capital.

Já o governo de Lucas Papademos anunciou que imporá um congelamento salarial caso os dois lados não cheguem a um acordo. Além disso, o porta-voz do governo, Pantelis Kapsis, ameaçou indiretamente com novos cortes ao afirmar que o salário mínimo grego é muito maior do que, por exemplo, o espanhol.

"O governo usa a troika como álibi para sua própria inatividade", comenta Lixouriotis. O problema da Grécia seria acima de tudo um problema grego e não europeu, como frequentemente é colocado, mas muito políticos se recusam a encarar essa realidade, opina o professor.

Para ele, os especialistas da Troika são usados como bode expiatório e vaiados por medidas de austeridade que passam longe dos reais desafios da economia grega. Essas medidas podem até trazer alguma economia ao país, mas as reformas estruturais propostas são simplesmente insuficientes.

Só cortes não resolvem

Enquanto uns dizem que o governo grego não quer ou não está em condições de seguir a receita da troika, outros afirmam que o pacote ditado ao país está fadado ao fracasso. O argumento é que o programa austero proposto vai acabar sufocando de vez a economia grega.

O professor de economia Jannis Varoufakis, da Universidade de Atenas, faz parte desse grupo de céticos. Ele defende uma mudança de rumo de longo prazo e vê obrigações por parte dos parceiros europeus. "Nem mesmo Deus seria capaz de fazer funcionar um programa de austeridade como esse", critica.

Ele afirma que não apenas a Grécia, mas todos os países da zona do euro correm risco de afundar por não terem reagido com coesão à crise. Empurrar a culpa uns para os outros não adianta nada, comenta Varoufakis. Seria preciso uma nova concepção para o euro e uma política de estímulo ao crescimento econômico, por exemplo por meio de um programa europeu de investimentos.

O especialista diz estar convencido de que reformas, por mais que sejam necessárias, não podem resolver sozinhas a grave crise da dívida grega. Se não houver outra saída, a falência da Grécia, mantida dentro da zona do euro, seria uma boa solução. Mas ele alerta para o risco de colapso da moeda comum.

"A saída da zona do euro seria um suicídio econômico para a Grécia. Além disso, nesse caso a moeda comum não sobreviveria nem 24 horas", afirma Varoufakis. Segundo ele, o euro estaria estruturado de tal maneira que, em pouco tempo, haveria um efeito dominó fatal.

As consequências seriam uma profunda recessão no norte da Europa, principalmente na Alemanha e na Holanda, assim como o início de uma era de estagnação econômica e inflação nos países endividados do sul, prevê Varaufakis.

Autor: Jannis Papadimitriou, de Atenas (np)
Revisão: Alexandre Schossler

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