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Mundo

Minoria religiosa yazidi está ameaçada no norte do Iraque

Apontados como adoradores do diabo pelos radicais sunitas do "Estado Islâmico", cerca de 200 mil yazidis buscam refúgio nas montanhas perto de Sinjar. Minoria religiosa curda acumula histórico de perseguição.

Seu gado é morto, seus santuários são destruídos. As pessoas tentam, ao menos, salvar as próprias vidas. À medida que a organização terrorista "Estado Islâmico" (EI, antes chamado de Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ou EIIL) avança no norte do Iraque, a situação fica cada vez mais perigosa para os yazidis, que são membros de uma religião curda com antigas raízes indo-europeias. No último domingo (03/08), os terroristas do EI tomaram a cidade de Sinjar. Peshmergas (combatentes curdos) enfrentaram os ataques, mas não conseguiram deter os invasores.

Irak Kämpfe Jeziden Flüchtlinge 05.08.2014

Yazidis fugindo da cidade de Sinjar, no norte do Iraque

Tão logo ocuparam a cidade, os terroristas começaram a perseguir membros da minoria religiosa yazidi e outros grupos não sunitas. Segundo o Conselho de Segurança da ONU, vários yazidis foram sequestrados ou exilados. Os que rejeitam a conversão ao Islã são executados. De acordo com um representante dos yazidis, cerca de 500 homens da comunidade religiosa foram mortos. Ao todo, cerca de 200 mil estão em fuga. Até 30 mil famílias estão sem água ou suprimentos nas montanhas perto de Sinjar. Entre os refugiados estão cerca de 25 mil crianças, segundo informações do Unicef. Cerca de 40 já teriam morrido devido à falta de alimentação.

Os yazidis não são o único grupo religioso em fuga dos terroristas do "Estado Islâmico". Em junho, os jihadistas tomaram a cidade de Mossul e expulsaram grupos cristãos dos assírios, caldeus e aramaicos. Xiitas e curdos muçulmanos também tiveram de deixar a cidade.

Pátria em muitos Estados

Pelo lado étnico, os yazidis fazem parte dos curdos. Eles falam o curmânji, um dos três principais dialetos da língua curda. Os yazidis vivem em grandes povoados curdos, que estão espalhados pelos territórios da Síria, do Irã, do Iraque e da Turquia. Mas a maior parte dos cerca de 800 mil yazidis vive no Iraque. Lá, eles se dividem em duas regiões ao redor da cidade de Mossul. O centro religioso dos cerca de 550 mil yazidis no Iraque está localizado no vale do Lalish, no norte do país, onde também está o túmulo do xeque Adi Ibn Musafir, o seu santo mais importante.

Há também muitos yazidis na Europa Ocidental. A maior comunidade se encontra na Alemanha, e é formada por 45 mil ou até 60 mil pessoas.

Um povo perseguido

Jesiden Religionsgemeinschaft im Irak

O centro religioso da minoria yazidi, no vale do Lalish

Existem teorias distintas para a origem da religião yazidi. Os próprios yazidis entendem a sua religião como uma continuação do antigo culto a Mitra, herdado da Pérsia antiga. Estudiosos, no entanto, acreditam num complexo processo de desenvolvimento, no qual o yazidismo se abriu para diferentes tradições e as incorporou no decorrer da história. Assim, elementos orientais do cristianismo teriam sido incluídos. Até o islã pode ter influenciado em parte o yazidismo.

Assim como o judaísmo, o cristianismo e o islã, o yazidismo também é uma religião monoteísta. Ela se destaca teologicamente por não haver outra força além da do deus único – nem mesmo uma maligna. Uma figura correspondente ao diabo não existe no yazidismo.

Ao contrário das três grandes religiões monoteístas, o yazidismo também não possui uma escrita religiosa. As tradições religiosas são transmitidas predominantemente de maneira oral. Também por isso eles não são considerados um "povo do livro", termo usado para designar religiões que possuem escrituras sagradas.

Portanto, quando sob domínio dos otomanos, os yazidis não eram reconhecidos como uma comunidade religiosa. Eles também não gozavam dos direitos sociais que foram atribuídos aos cristãos e judeus. Os yazidis eram considerados "adoradores do diabo" e tiveram que suportar diversas tentativas missionárias islâmicas. No final do século 19, houve vários massacres de cristãos e yazidis, vitimando milhares de pessoas.

Os recentes ataques dos jihadistas também são ligados ao fanatismo religioso, afirma Telim Tolan, presidente do Conselho Central dos Yazidis na Alemanha. "O yazidismo tem uma teologia totalmente própria, que difere muito da islâmica", explica. Os yazidis não estariam sendo reconhecidos como uma comunidade religiosa legítima pelo jihadistas. "Os terroristas acreditam que os yazidis precisam ser convertidos à força ou mortos se não se unirem à religião 'legítima'."

Clamor por ajuda internacional

ISIS / Mossul / Kämpfer

Combatente do "Estado Islâmico", na cidade de Mossul

Os ataques dos terroristas do EI contra minorias religiosas prosseguiram nesta quarta-feira (06/08). O patriarca Louis Raphael 1º Sako, líder da Igreja Católica no Iraque, disse à Radio Vaticano que cerca de 70 yazidis foram mortos em Sinjar.

Sako pediu à comunidade internacional para "exercer pressão sobre aqueles países que financiam esses grupos terroristas ou extremistas". Ao mesmo tempo, as autoridades islâmicas deveriam ser pressionadas a condenar os ataques contra cristãos e não muçulmanos. "No nível humano, somos uma família", conclui Sako.

O Conselho Central dos Yazidis na Alemanha pediu à ONU e ao governo alemão para quem criem as condições necessárias para a ajuda humanitária. Em seguida, a ONU tem que enviar soldados à área, disse o presidente Tolan. "As Forças Armadas no local, não tem mais a área de Sinjar sob controle. O 'Estado Islâmico' domina a região."

O grupo terrorista "Estado Islâmico" continua a sua campanha de expansão no norte do Iraque. E caso não sejam parado, a existência da minoria religiosa yazidi corre sério risco no país.

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