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Alemanha

Minoria muçulmana na mira

Embora a população islâmica da Europa se restrinja a 3,3%, cresce o medo de uma radicalização dos muçulmanos. Na Alemanha, políticos exigem agentes secretos dentro das mesquitas, mas sociólogos apostam em integração.

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Não só câmeras de vigilância, mas agentes infiltrados em mesquitas

Após os êxitos da polícia britânica na identificação dos terroristas responsáveis pelo atentado de Londres, políticos alemães – democrata-cristãos e social-democratas – reiteraram sua exigência de ampliar o uso de câmeras de vigilância na Alemanha. No entanto, uma observação indiscriminada de espaços públicos – como a que existe no Reino Unido – continua sendo rejeitada como limitação dos direitos do cidadão.

Gregos e troianos dizem "sim" à vigilância

Os políticos conservadores defendem a instalação de câmeras em praças públicas, estações ferroviárias e de metrô, aeroportos e outros espaços públicos de grande movimento. A decisão sobre as formas de vigilância pública cabe aos Estados. A Baviera, por exemplo, governada por social-cristãos, já anunciou que o número de câmeras no Estado será aumentado de 20 para 70.

Mas o impacto dos atentados de Londres não pára aí. Políticos conservadores querem que o Estado esteja a par do que também está fora do alcance das câmeras. Democrata-cristãos chegaram a sugerir que se infiltrem agentes secretos em instituições islâmicas, a fim de que todos saibam o que se prega nas mesquitas. O encarregado de Interior do Partido Verde, Volker Beck, declarou que não teria nada contra a medida, mas advertiu que a grande dificuldade seria recrutar agentes com perfil adequado para a tarefa.

Um ponto controverso entre os políticos alemães é a criação de um arquivo de longo prazo com dados telefônicos. Os verdes consideram a proposta exagerada, mas políticos democrata-cristãos, como Heribert Rech, secretário do Interior de Baden-Württemberg, propõem até mesmo a intervenção em redes de telefonia móvel como método de prevenção de terrorismo.

Muçulmanos temem maior segregação

As instituições islâmicas alemãs rejeitam terminantemente a observação da comunidade por parte do Estado, acusam a sociedade de discriminar e excluir os muçulmanos da vida pública e denunciam o silêncio da mídia e dos políticos com relação aos interesses desta minoria na Alemanha. Em reação ao que eles consideram uma radicalização dos preconceitos, representantes da comunidade islâmica anunciaram que pretendem fundar uma federação alemã para defender seus interesses.

Em entrevista ao diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, o presidente da Central dos Muçulmanos da Alemanha, Nadeem Elyas, declarou que a idéia de uma associação federal não é conferir uma estrutura de Igreja à comunidade islâmica, mas sim conquistar uma maior representatividade e mais atenção na vida política.

O alarmismo em relação à minoria islâmica da Europa se intensificou em decorrência da escalada do terrorismo, mas dificilmente se justifica em termos numéricos. Afinal, a população islâmica não é representativa e o radicalismo se restringe a uma minoria. Entre 455 milhões de habitantes da União Européia, 15 milhões são muçulmanos, o que corresponde a um índice de 3,3%.

Números relativizam alarmismo

Os países da UE com a maior concentração de muçulmanos são a França, a Alemanha, a Áustria e a Holanda. Na França, não existem estatísticas exatas, mas calcula-se que haja seis milhões de muçulmanos entre uma população de 60 milhões. A maioria deles provém das ex-colônias do norte da África. Na Alemanha, 3,2 milhões de muçulmanos correspondem a menos de 4% da população, mas representam a maior comunidade religiosa do país após os cristãos. A maioria deles provém da Turquia (2,4 milhões).

Quanto aos radicais islamistas, o governo alemão não dispõe de dados precisos. O pesquisador Rolf Tophoven, especializado em terrorismo, fala de aproximadamente 300 muçulmanos capazes de recorrer à violência na Alemanha. O que preocupa as autoridades é, sobretudo, o surgimento de um novo grupo de jovens radicais dentro da segunda geração de imigrantes, um fenômeno difícil de controlar. De acordo com o serviço secreto alemão, há cerca de 31 mil pessoas que simpatizam com os islamistas, mas não estariam dispostos a recorrer à violência.

Para diversos sociólogos, a única forma de impedir que a ideologia islamista radical, fundada numa interpretação literal do Corão contra o Estado e a sociedade, seria se abrir com mais determinação à integração dos muçulmanos.

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