Ministros adiam decisões sobre pacote de resgate para países do euro | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 18.01.2011
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Economia

Ministros adiam decisões sobre pacote de resgate para países do euro

Divergências levam a adiamento de mudanças no pacote de resgate dos países em crise na zona do euro. Ministro alemão defende cuidado e meticulosidade, no lugar da pressa. Hungria aponta para instabilidade da moeda.

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Ministros discutem futuro do euro em Bruxelas: Elena Salgado (Espanha), Wolfgang Schäuble (Alemanha) e Didier Reynders (Bélgica)

Os países da União Europeia (UE) pretendem elaborar nas próximas semanas um pacote de medidas para proteger o euro a longo prazo e de forma definitiva. Segundo o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, é preciso evitar medidas impensadas. Também a chanceler federal alemã, Angela Merkel, alertou em Berlim para o risco de "medidas tomadas às pressas".

"Precisamos de um pacote completo e para isso é necessário priorizar o cuidado e a meticulosidade e não a rapidez", afirmou Schäuble após o encontro com seus colegas de pasta nesta terça-feira (18/01) em Bruxelas. Os países da União Europeia, disse o ministro, estão certos de que tudo terá que ser resolvido depressa, porém com o "devido cuidado".

"Fortalecer competitividade"

Merkel defendeu ainda "maior tranquilidade" no debate sobre as medidas a serem incluídas no novo pacote. Essas medidas, salientou a chanceler federal, deverão fortalecer "a competitividade de toda a Europa" no mercado internacional.

Os países da UE discutem no momento uma ampliação do Pacto de Estabilidade do euro, uma melhor forma de definição das políticas econômicas de cada país e um fortalecimento do fundo de resgate aos países da zona do euro, válido até o ano de 2013.

Além disso, a meta é estabelecer mecanismos permanentes de resistência à crise, que possam proteger os membros da zona do euro de novas instabilidades como a atual crise de crédito. No primeiro semestre deste ano, os bancos deverão ser submetidos a novos testes de estresse.

"Aspecto parcial"

Olli Rehn, comissário de Assuntos Monetários da UE, defendeu novas possibilidades de uso do atual fundo de resgate e um aumento do volume de recursos realmente disponíveis para países em dificuldades. O ministro alemão Schäuble, por sua vez, afirmou ser este passo apenas "um aspecto parcial" do pacote geral de resgate. Para Berlim, não é preciso definir essa ampliação de forma isolada do novo pacote em geral, nem com tamanha rapidez.

Deutschland Geld Währung Euro in Flammen Symbolbild

Moeda comum europeia: futuro incerto e divergências internas no bloco

A participação dos países da zona do euro no fundo gira em torno de 440 bilhões de euros, dos quais se estima que 250 bilhões estejam, de fato, disponíveis para as nações em dificuldades. Schäuble deu sinais de concordar com a implementação de mecanismos legais que permitam a liberação de créditos de fato para os países necessitados.

Sucessor de Trichet

Outra discussão que permeou o encontro dos ministros nesta terça-feira em Bruxelas foi uma possível antecipação da escolha do futuro presidente do Banco Central Europeu. Schäuble alertou para o risco de "um enfraquecimento da posição do atual presidente do Banco, Jean-Claude Trichet". Para o ministro alemão, "não há necessidade alguma" de debater esse assunto de imediato. O mandato de Trichet vai até outubro deste ano.

Os ministros reunidos em Bruxelas praticamente não deixaram entrever, contudo, sobre quais opções estiveram discutindo em relação ao futuro econômico da zona do euro. O titular holandês da pasta das Finanças, Jan Kees de Jager, mencionou que em debate esteve também um possível aumento do volume de crédito para além dos atuais 440 bilhões de euros – uma proposta que foi, contudo, rejeitada, afirmou De Jager.

"Casa sobre terreno trêmulo"

No mais tardar até março deste ano, os ministros querem ter chegado a uma conclusão a respeito do pacote geral de resgate. A presidência da UE, no momento nas mãos da Hungria, causou tumultos em Bruxelas com declarações como as do ministro György Matolcsy, cuja afirmação de que "o euro está em risco por mais de uma década" esbarrou na rejeição de outros colegas de pasta do bloco.

O ministro húngaro acrescentou ainda que "o euro parece uma casa que construímos, embora o terreno debaixo dela balance consideravelmente". Budapeste ainda não introduziu a moeda comum europeia.

SV/dpa/rtr/afp

Revisão: Roselaine Wandscheer

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