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Mundo

Ministro egípcio escapa de atentado no Cairo

Explosão atinge comboio de carros do ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, que alertou contra "onda de terrorismo". Egito vive violências desde a queda do presidente Mursi, em julho. Irmandade Muçulmana nega autoria.

O ministro egípcio do Interior e responsável por coordenar as forças policiais do país, Mohamed Ibrahim, sobreviveu nesta quinta-feira (05/09) a um atentado a bomba que teve como alvo o carro em que ele e seus seguranças estavam no bairro de Nasr, no leste do Cairo, onde mora o ministro. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas.

Houve divergências iniciais sobre como a explosão aconteceu. Segundo agentes de segurança, bombas instaladas em carros estacionados próximos ao local teriam sido acionadas por controle remoto. Já a televisão estatal chegou a informar que explosivos foram lançados do topo de um arranha-céu próximo à residência do ministro, assim que ele deixou sua casa. Até agora, ninguém foi preso e nenhum grupo assumiu responsabilidade pelo atentado.

Mohamed Ibrahim está entre os integrantes do alto escalão do governo egípcio que apoiaram a repressão violenta, em meados de agosto, contra acampamentos dos apoiadores do ex-presidente islamista Mohamed Morsi, retirado do poder há dois meses pelos militares do Egito.

Desde então, o país vive uma onda de manifestações contra o novo regime. No dia 14 de agosto, os acampamentos dos islamistas foram dispersados. Houve centenas de mortos. No dia seguinte, o ministério de Ibrahim teria autorizado as forças da ordem a abrir fogo contra os militantes contrários ao novo governo egípcio.

Onda de terrorismo

Ägypten Innenminister Mohamed Ibrahim Archivbild

Mohamed Ibrahim diz que este pode ser o início de uma nova onda de terror no Egito

A Irmandade Muçulmana, grupo do qual é oriundo o ex-presidente Mohamed Morsi, negou a autoria da explosão e acusa as Forças Armadas do Egito de querer trazer de volta ao país o período de repressão implantado pelo ex-ditador Hosni Mubarak, cuja renúncia, em fevereiro de 2011, levou às primeiras eleições democráticas no Egito e à nomeação de Morsi para o cargo de presidente, em meados de 2012. A Irmandade garantiu seu compromisso com a resistência pacífica.

"A explosão de hoje (quinta-feira) que teria como alvo o ministro do Interior é lamentável, e a aliança a condena com veemeência", declarou Amr Darrad, um dos líderes da Irmandade Muçulmana, por meio de nota, falando em nome da "Aliança Antigolpe" (grupo islamista que organiza os apoios pró-Morsi e do qual a Irmandade é um dos principais expoentes).

Questionado pela imprensa se o ataque pode estar marcando o início de uma "nova onda de terrorismo", Ibrahim afirmou: "o que aconteceu hoje não é o fim, mas o começo". Ele afirmou que tomara conhecimento nesta semana de que seria alvo de um atentado.

O distrito de Nasr é um dos bastiões da Irmandade Muçulmana, grupo ao qual Morsi pertence. O bairro também foi palco de confrontos violentos entre policiais e manifestantes, que no mês passado deixaram centenas de mortos.

O ataque desta quinta-feira lembra a onda de manifestações levantada pelos islamistas entre os anos 1980 e 1990 contra o regime do então presidente Hosni Mubarak. Agentes do governo, incluindo o porta-voz do Parlamento egípcio à época e o ministro do Interior, foram alvo de atentados. O próprio Mubarak sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1994, quando militantes atacaram seu comboio em Adis Abeba, capital da Etiópia.

MSB/rtr/ap

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