Ministro alemão propõe criação de fundo monetário europeu | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 08.03.2010
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Economia

Ministro alemão propõe criação de fundo monetário europeu

Em consequência da crise de endividamento em que se envolveu a Grécia, governo alemão propôs criação de fundo monetário europeu, a exemplo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Comissão Europeia acena anuência.

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Fundo chegaria tarde demais para ajudar Grécia

No contexto da dura crise financeira por que passa a Grécia, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, afirmou ao jornal alemão Bild que "para a estabilidade interna da zona do euro, precisamos de uma instituição que disponha da experiência do FMI e de poderes análogos para interferir".

O ministro Schäuble rejeitou ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) no caso da Grécia. "A zona do euro se esforça para resolver seus problemas com forças próprias", disse o ministro.

Wolfgang Schäuble é o primeiro ministro da coalizão alemã de governo, formada por liberais e conservadores, a defender abertamente a criação de uma espécie de fundo monetário europeu. Ele afirmou que irá apresentar, em breve, suas próprias sugestões com vista ao estabelecimento de tal fundo.

Parceiros nacionais e europeus

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Schäuble não quis divulgar detalhes do plano

Um porta-voz de Schäuble disse em Berlim que essas "considerações básicas" estão em via de se concretizar, e que o governo alemão deverá agir em estreita concordância com Paris. O ministro das Finanças evitou explicitar detalhes de sua sugestão, e pretende em breve coordenar suas ideias com parceiros nacionais e europeus. Segundo seu porta-voz, no entanto, seria tarde demais para um fundo europeu resolver a crise financeira da Grécia.

A Comissão Europeia, por sua vez, estaria, em princípio, disposta a criar uma instituição europeia própria nos moldes do FMI, um "instrumento europeu de apoio", afirmou um porta-voz do comissário europeu de Assuntos Monetários e Financeiros, Olli Rehn, em Bruxelas.

Ainda não está claro, todavia, se os tratados da União Europeia terão de ser modificados para a criação do fundo. Isso implicaria um difícil e longo processo, acrescentou o porta-voz de Rehn.

Prós

A criação de um fundo monetário europeu dividiu a opinião dos economistas. Na Alemanha, o diretor do Instituto de Macroeconomia e Pesquisa Conjuntural (IMK), Gustav Horn, e o economista-chefe do Dekabank, Ulrich Kater, saudaram a proposta.

O ex-economista-chefe do FMI, Simon Johnson, considera útil uma versão europeia do FMI. "Um sistema de duas fases faz sentido", disse Johnson no blog The Baseline Scenario. Um fundo monetário europeu "significaria uma enorme transformação da arquitetura financeira global. A tradicional base de poder dos EUA seria esvaziada", afirmou.

Contras

Segundo o site de economia Handelsblatt Online, o diretor do Instituto alemão de Pesquisa Econômica (DIW), Klaus Zimmermann, rejeita a ideia de um "FMI europeu". Ele considera a criação do fundo, no máximo, um substituto para a controversa administração econômica europeia.

Para o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Jürgen Stark, tal mecanismo não seria compatível com as bases da união monetária. Em comentário para o jornal Handelsblatt, Stark afirmou que cada país deve responder por seus orçamentos e por suas dívidas.

"Seria o início de uma equalização financeira europeia que poderia sair muito cara, que fornece os estímulos errados, sobrecarregando, por fim, os países com finanças públicas mais sólidas", concluiu Stark.

CA/dpa/afp/rtr
Revisão: Augusto Valente

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