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Mundo

Minas terrestres, o perigo escondido no solo afegão

Em nenhum país do mundo as minas terrestres matam tanto quanto no Afeganistão. Elas estão em quase todas as províncias e deixam entre 30 e 60 mortos por mês. As maiores vítimas são as crianças.

No caminho para a escola, Firoz Ali Alizada decidiu seguir por um atalho com os amigos – uma escolha que se revelaria trágica. O menino, então com 13 anos, pisou acidentalmente em uma mina terrestre. Foi levado às pressas para o hospital e, para que sobrevivesse, teve as duas pernas amputadas.

Firoz só sobreviveu porque seus pais subornaram os médicos do hospital para que fizessem a cirurgia o mais rapidamente possível. Hoje, o menino se considera uma pessoa de sorte. São poucas as vítimas de acidentes com minas terrestres que saem com vida. "Foi um milagre eu ter sobrevivido após perder minhas pernas e quase todo o meu sangue", conta.

Hoje, ele é gerente de campanha da organização Campanha Internacional pelo Banimento das Minas Terrestres (ICBL), com sede em Genebra. A rede tem mais de 1.200 ONGs que trabalham em conjunto para a eliminação desses artefatos de guerra. A intenção do ativista é evitar que outras crianças passem pela mesma situação que ele viveu.

A ONG Handicap International afirma que entre 60% a 70% das vítimas afegãs são crianças.

A ONG Handicap International afirma que entre 60% a 70% das vítimas afegãs são crianças.

Em entrevista à DW, Firoz Ali Alizada conta que a cada mês entre 30 e 60 afegãos são mortos ou gravemente feridos por minas terrestres. "Os incidentes diminuíram em comparação aos anos 90, mas ainda é o índice de ocorrências mais alto do mundo", explica.

Risco maior para as crianças

Segundo Eva Maria Fischer, porta-voz da organização Handicap International, o país ainda tem a maior quantidade do mundo de minas escondidas. Ela diz que é muito difícil fazer um balanço do número de vítimas. "Os dados exatos não são conhecidos porque as estatísticas no Afeganistão são incompletas", diz.

A Handicap International trabalha com vítimas das minas no Afeganistão desde o final dos anos 80, oferecendo apoio, programas de reabilitação e também de conscientização para as crianças. Fischer afirma que há 5 mil áreas no país consideradas de risco, onde os habitantes podem ser vítimas de minas terrestres a qualquer momento.

De acordo com dados do Centro da ONU de Coordenação das Ações sobre Minas Terrestres no Afeganistão (Macca), quem mais se expõe aos riscos são as crianças. Entre 60% e 70% das vítimas são meninos e meninas e, no total, mais de 400 mil pessoas ficaram com alguma deficiência física devido às minas.

No Afeganistão, estima-se que entre 50% e 60% dos deficientes físicos são vítimas das minas.

No Afeganistão, estima-se que entre 50% e 60% dos deficientes físicos são vítimas das minas.

"Os dados variam de acordo com a província. Em algumas delas, mais de 70% dos casos são originados per acidentes com minas. Se observarmos o país como um todo, a porcentagem é de 50% a 60%", diz Mohammad al-Din Qani, diretor para assuntos de deficientes físicos do Ministério do Trabalho, Temas Sociais, Mártires e Deficientes do Afeganistão.

Além das dificuldades, a discriminação

Mas mesmo com os programas de reabilitação, as condições para os deficientes físicos no Afeganistão são bastante difíceis. O governo oferece uma pensão no valor de 5 a 8 euros por mês às famílias das vítimas, o que não é suficiente para garantir seu sustento. Os deficientes raramente encontram trabalho, e ainda têm que lidar diariamente com o preconceito.

Firoz Ali Alizada sabe bem o que é passar por essa experiência. "Quem não viveu na pele de um deficiente físico no Afeganistão não tem como imaginar o que isso significa", conta. Além de lidar com a sua própria deficiência e com a pobreza, afirma, há ainda o descaso total das pessoas.

"Para mim, deixaram bem claro, de um modo bastante agressivo, que eu não poderia estudar na universidade simplesmente porque sou deficiente", diz. A proibição acabou servindo como motivação para Firoz e o levou a se tornar um ativista pelos direitos dos deficientes e pela eliminação das minas terrestres.

Hoje em dia ele já consegue ver melhorias em seu país. Em 2012, o Afeganistão assinou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e implementou o amparo legal à convenção. Mas a legislação, ressalta Firoz, ainda deixa a desejar.

Para uma possível melhora a longo prazo, é fundamental eliminar as minas terrestres. Todas as províncias afegãs, com a exceção de Daikundi, na parte central do país, sofrem com esse problema. O maior obstáculo para a eliminação das minas é a guerra, uma vez que o Talibã usa esses artefatos e outras armadilhas como armas de combate.

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