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Ciência e Saúde

Mimetismo é arma de defesa dos animais há milhões de anos

Cientistas descobriram que insetos desenvolveram a capacidade de imitar o ambiente em que vivem muito antes do surgimento das angiospermas.

Alguns animais conseguem se camuflar tão bem a ponto de serem identificados somente a partir de um exame muito atento de uma folha, um ramo ou uma casca de árvore. Muitos insetos, por exemplo, têm o poder de se tornarem praticamente invisíveis, adaptando-se a uma forma ou à cor predominante de seu ambiente. Este tipo de camuflagem é conhecido como mimetismo. O bicho-folha – que representa uma das espécies de bichos-paus – é um dos mais conhecidos adeptos dessa prática.

Cientistas já sabiam que essa técnica de defesa (e também de ataque) era antiga. Só não imaginavam que o mimetismo ocorresse há muito mais tempo do que suspeitavam. Eles acreditavam que insetos que usam o mimetismo em troncos e folhas – representantes da ordem Phasmatodea – haviam surgido com a ascensão das angiospermas (plantas com flores), processo que se iniciou há 90 milhões de anos.

Descoberta surpreendente

Mimese Lebende Steine

Alguns animais conseguem imitar pedras

Um grupo de pesquisadores liderado pelo biólogo evolucionista Sven Bradler, no entanto, detectou evidências fósseis de representantes da ordem Phasmatodea e revelou que a espécie Cretophasmomima melanogramma já usavam o mimetismo há aproximadamente 126 milhões de anos. A descoberta publicada recentemente na revista científica Plos One surpreendeu especialistas.

Há 126 milhões de anos, no período Cretácio, dinossauros reinavam no mundo animal. Entre as plantas, as mais adaptadas eram as samambaias, os ginkgos (árvores de origem chinesa) e outras gimnospermas (plantas sem flores), como as coníferas. E as angiospermas? Não passavam de uma exceção.

Mimetismo antes das flores

Mimese Taggecko

Lagartixas estão entre os adeptos do mimetismo

A descoberta faz com que a hipótese anterior – a de que o mimetismo se desenvolveu após o surgimento das plantas com flores – deva ser, se não inteiramente descartada, ao menos relativizada. Os fósseis estudados pela equipe de Bradler não imitavam a folha de uma angiosperma, mas de uma espécie de gingko.

"Os Phasmatodea se tornam parecidos com as plantas das quais se alimentam, que hoje são predominantemente plantas com flores. Na época, no entanto, eram sobretudo as gimnospermas", explica o biólogo.

Modelo de sucesso

Com frequência, os insetos evoluem em sintonia com o mundo vegetal – pode-se dizer que os dois grupos co-evoluem. E isso acontece não apenas para que sejam capazes de se defender de predadores, mas também para permitir que ataquem suas presas sem que estas os vejam, como faz o Louva-a-deus.

Na luta pela sobrevivência, a natureza não tem limites. Nem mesmo para se tornar invisível. "Existem lagartas que se parecem com excrementos de pássaros", afirma Bradler. Por essas e outras, o biólogo não descarta que o mimetismo – esse modelo de camuflagem tão bem sucedido – possa ser ainda mais antigo.

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