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Mundo

Milosevic: acusação de genocídio é absurdo supremo

Acusado de crime de genocídio, pela primeira vez, ex-ditador da Iugoslávia, preso desde junho na Holanda, se recusa a tomar uma posição no Tribunal Penal Internacional, em Haia.

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Slobodan Milosevic no Tribunal da ONU, que julga crimes de guerra na ex-Iugoslávia, em Haia

O ex-presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, foi levado ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, pela quarta vez, nesta terça-feira, e qualificou como "absurdo supremo" a acusação de genocídio na guerra da Bósnia, feita contra ele pela primeira vez. O ex-homem forte dos Bálcãs se negou a tomar uma posição sobre a acusação de ter sido o responsável por centenas de crimes cometidos pelas tropas sérvias na guerra na Bósnia, de 1952 a 1995.

Milosevic não se deixou impressionar com a leitura da acusação de 66 crimes, entre os quais 29 de genocídio, cumplicidade em genocídio, crimes contra a humanidade e outros como violação sexual de mulheres e meninas por parte de militares sérvios. O de maior repercussão internacional foi o massacre de Srebrenica, em julho de 1995, quando as tropas sérvias chacinaram 7.000 muçulmanos na zona sob proteção da ONU.

O ex-ditador, de 60 anos de idade, não interrompeu a leitura da acusação, como tinha feito das outras vezes em que apareceu no Tribunal da ONU. Mas, depois que o presidente da corte internacional, Richard May, exigiu que se declarasse inocente ou culpado, ele contestou com veemência: "Este texto miserável é de um absurdo supremo".

A Promotoria Pública chefiada por Carla del Ponte, quer transformar os três processos contra Milosevic num só, a fim de economizar tempo e evitar interferência nas declarações das centenas de testemunhas previstas. Por isso, o início do julgamento, previsto anteriormente para fevereiro, deverá ser protelado por vários meses. A duração do julgamento é estimada em um ano.

Milosevic foi entregue ao Tribunal em Haia, na Holanda, em junho passado, pelos reformistas de Belgrado que o derrotaram nas eleições de 2000. Ele já tinha se recusado a tomar uma posição na corte internacional sobre os crimes contra a humanidade cometidos por suas tropas na guerra que levou à independência da Croácia, entre 1991 e 1992, e no conflito de Kosovo, em 1999.

A corte criada pela ONU especialmente para julgar crimes de guerra cometidos na antiga Iugoslávia condenou em agosto, pela primeira vez, um acusado de crime de genocídio. O general servo-bósnio Radislav Krstic, pegou 46 anos de prisão. Continua desconhecido o paradeiro do criminoso de guerra na Bósnia mais procurado, Radovan Karadic.