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Mundo

Militares anunciam golpe no Burundi

General diz ter derrubado presidente Pierre Nkurunziza, que está fora do país e é acusado de violar a Constituição ao buscar terceiro mandato. Governo nega e chama anúncio de piada.

Burundi Jubel nach dem Putsch auf den Straßen von Bujumbura

População comemorou golpe militar nas ruas da capital, Bujumbura

A crise política no Burundi atingiu seu ápice nesta quarta-feira (13/05), quando um general anunciou ter derrubado o presidente Pierre Nkurunziza e instalado um governo militar interino.

O general Godefroid Niyombare justificou o golpe com o argumento de que, ao buscar um terceiro mandato, Nkurunziza viola a Constituição e os Acordos de Arusha, que puseram fim à guerra civil entre hutus e tutsis na vizinha Ruanda em 1993.

O governo chamou o anúncio de "piada" e, pelo Twitter, o presidente disse que a tentativa dos militares fracassou. Niyombare fez sua declaração para repórteres em um quartel militar na capital, enquanto Nkurunziza estava fora do país, em uma cúpula africana sobre a crise política.

"Sobre a arrogância e despeito do presidente Nkurunziza em relação à comunidade internacional, que o aconselhou a respeitar a Constituição e o acordo de paz de Arusha, o comitê para a criação da concórdia nacional decide: presidente Nkurunziza está destituído, seu governo está destituído também", disse o militar, acompanhado de outras autoridades do Exército e da polícia.

Burundi Proteste gegen den Präsidenten Nkurunziza

Protestos contra o governo já deixaram mais de dez mortos nas últimas três semanas

Após o anúncio, centenas de pessoas saíram às ruas da capital para celebrar o golpe. Testemunhas disseram não haver qualquer sinal de policiais. Nas últimas três semanas, pelo menos dez pessoas morreram durante protestos contra o presidente.

A candidatura de Nkurunziza, criticada por parte da comunidade internacional, gerou temor entre grandes setores da população do Burundi, que há dez anos saiu de uma guerra civil (1993-2005) que afundou o país e ainda afeta a sociedade.

Após sua independência da Bélgica em 1962, o Burundi viveu dois episódios classificados como genocídio: o massacre de hutus pelo Exército dominado por tutsis em 1972, e o assassinato em massa de tutsis por hutus em 1993.

Membros da oposição e famílias tutsis começaram a deixar o país depois das recentes notícias sobre distribuição de armas entre as milícias de jovens pró-governo.

RPR/rtr/dpa

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