Militares africanos treinados pela Bundeswehr nem sempre se mostram fiéis à democracia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 25.03.2010
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Mundo

Militares africanos treinados pela Bundeswehr nem sempre se mostram fiéis à democracia

Em dez anos, as Forças Armadas alemãs cooperaram com militares de 28 países africanos. Golpe de Estado na Guiné em 2008 mostra que a difusão de valores democráticos, um dos objetivos das cooperações, nem sempre funciona.

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Dadis Camara logo após o golpe: quepe vermelho dos paraquedistas alemães

"O golpe alemão": assim o golpe de Estado liderado por Moussa Dadis Camara é às vezes chamado na Guiné. Em dezembro de 2008, o capitão do Exército assumiu o poder no país, ocupando a presidência de fato por um ano, até ser gravemente ferido num atentado.

A marca pessoal de Camara é o quepe vermelho com o símbolo dos paraquedistas alemães. Ele adquiriu o acessório na Alemanha, durante os quatro anos em que esteve no país para participar de um treinamento militar.

Camara não é o único: vários outros golpistas guineenses foram treinados pela Bundeswehr, as Forças Armadas alemãs. Por exemplo, o atual ministro das Finanças, Mandou Sandé, ou o ministro da Segurança, Mamadouba Camara.

Quando a junta militar ordenou um massacre para coibir um protesto popular em setembro de 2009, a Bundeswehr encerrou uma cooperação de vários anos com as Forças Armadas guineenses. Em fevereiro de 2011, os últimos soldados do país africano deverão deixar a Alemanha.

Objetivo é reforçar relações bilaterais

"O treinamento militar tem por objetivo reforçar as relações com outros países e com isso apoiar os ideais democráticos. Isso é louvável", diz o deputado Thomas Silberhorn, porta-voz para assuntos de defesa da União Social Cristã (CSU). "O que não pode acontecer é o treinamento estar em discordância com esses objetivos."

Nos últimos dez anos, a Bundeswehr cooperou com 28 Forças Armadas africanas e treinou mais de 1.200 líderes militares. As cooperações são organizadas e financiadas pelos ministérios do Exterior e da Defesa da Alemanha.

Nenhum deles se mostrou disposto a explicar em detalhes como são selecionados os parceiros africanos da Bundeswehr.

Maior transparência

Entre esses parceiros estiveram as Forças Armadas da Etiópia, da Nigéria e do Níger. Segundo Mathias John, da Anistia Internacional, essas forças militares são acusadas de desrespeitar os direitos humanos.

Mesmo que algumas dessas cooperações já tenham sido encerradas, John exige mais transparência nos critérios de seleção de países parceiros para os programas de treinamento.

"Há um grande número de países nos quais obviamente não podemos saber o que vai acontecer no futuro. E onde soldados poderão estar envolvidos em casos de desrespeito aos direitos humanos. E é de se perguntar quais critérios de seleção são de fato usados pela Bundeswehr nesses treinamentos e se de fato os direitos humanos são considerados nesse processo", afirmou.

Influência positiva sobre os militares

Um porta-voz do Ministério alemão da Defesa declarou à Deutsche Welle que a Alemanha opta por cooperar também com países nos quais se percebe um potencial de melhoramento. Nem sempre se trata de Estados cem por cento democráticos.

O objetivo, nesses casos, é influenciar de forma positiva o papel das Forças Armadas na sociedade, em aspectos como o estado de Direito. Mas, se é esse o objetivo, argumenta a Anistia Internacional, há coisas mais importantes e urgentes a fazer do que treinar soldados.

"A reforma das Forças Armadas, das forças de segurança, da Justiça e da polícia são extremamente importantes em vários países. Também são necessárias medidas urgentes para fortalecer a sociedade civil", diz John.

Vítima de um atentado em dezembro de 2009, Camara foi substituído pelo seu vice, Sékouba Konaté, um paraquedista treinado na França.

Autor: Martin Heidelberger (as)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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