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Alemanha

Milhares protestam em Dresden contra movimento anti-islã

Manifestação contra o Pegida reuniu 35 mil pessoas, que fizeram um minuto de silêncio em memória das vítimas dos atentados em Paris. Após ataques, sentimentos xenófobos devem ganhar força na Alemanha, preveem analistas.

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Dresden neste sábado (10/01), em protesto contra as manifestações anti-islã promovidas na cidade pelo movimento

Pegida

(sigla em alemão para "Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente").

Os manifestante fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos

ataques terroristas ocorridos em Paris

nos últimos dias.

Os organizadores estimam que cerca de 35 mil pessoas tenham participado da manifestação, quase o dobro dos 18 mil que protestaram contra o Pegida na cidade na última segunda-feira. Eles carregavam cartazes com os dizeres "Ajudem os refugiados", "Todos rimos no mesmo idioma" e "A Alemanha é para todos".

A manifestação deste sábado ocorre num momento em que muitos preveem um crescimento dos sentimentos anti-islã na Alemanha por conta dos ataques em Paris. O movimento Pegida, que ganhou força na Alemanha nos últimos meses, se posiciona contra aquilo que chama de "islamização da Europa".

PEGIDA-Demonstration in Dresden

As manifestações do Pegida acirraram o debate sobre os imigrantes na Alemanha

O protesto deste sábado contou com a presença da prefeita de Dresden, a conservadora Helma Orosz. "Não estou aqui porque sou contra as pessoas que vão às manifestações do Pegida, mas porque não temo as pessoas cuja cor da pele ou costumes são diferentes dos meus", afirmou. "Não seremos divididos pelo ódio."

Temores quanto ao aumento da xenofobia

As manifestações do Pegida tiveram início em outubro, com a participação de cerca de 500 pessoas. Elas aumentaram de proporção rapidamente nos meses seguintes, se espalhando por várias cidades e acirrando o debate sobre os imigrantes na Alemanha.

Muitos observadores preveem que o Pegida tente obter

ganhos políticos

após os atentados ao jornal satírico francês Charlie Hebdo e os eventos que o sucederam.

"Os ataques de Paris irão sem dúvida afetar Dresden e dar influência ainda maior ao Pegida", apontou o analista político Werner Patzelt, da Universidade Técnica de Dresden. "É provável que a marca dos 20 mil manifestantes seja alcançada já na próxima segunda-feira", afirmou, em relação ao próximo evento planejado pelo movimento.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel,

se posicionou claramente contra o Pegida

. Em seu discurso de Ano Novo, ela pediu aos cidadãos alemães que não se deixem influenciar pelos organizadores do movimento, que, em sua opinião, querem excluir pessoas de cor da pele ou religião diferentes.

RC/dpa/afp

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