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Mundo

Milhões de deportados europeus esperam retornar à pátria

Será construído, em Berlim, um centro para tratar da questão dos 4,3 milhões de deslocados europeus, que aguardam o momento de retornar à sua pátria. Instituição visa combater o crime de deportação no mundo inteiro.

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Expulsão de alemães dos sudetos da Tchecoslováquia

Berlim foi escolhida para sede do Centro Contra Deportação porque foi lá que inúmeros deslocados na Europa procuraram refúgio. Além disso, a capital alemã é a fronteira geopolítica entre o Leste e o Ocidente. Depois que o Parlamento alemão aprovou, recentemente, a base legal para o centro de documentação, estão sendo tomadas agora as medidas concretas para a sua construção, segundo a presidente da Fundação Contra Deportação e da associação que reúne os desterrados europeus, de sigla em alemão VbV, Erika Steinbach.

A deputada federal da União Democrata Cristã (CDU) acredita que o centro estará pronto e funcionando dentro de cincos anos. Seu projeto para combater o problema secular e muito atual na Europa no século 21 conta com o apoio da organização ativista dos direitos humanos Sociedade para Povos Ameaçados. O secretário-geral desta ONG, Tilman Zülch, acusa os governos europeus de não combaterem a deportação com a energia necessária nem se empenharem pelo retorno dos que querem voltar à sua pátria.

Tabu alemão

A deportação foi praticada em larga escala, principalmente na Europa, nos últimos 15 anos, e o processo foi facilitado com a queda de fronteiras. Zülch observou que, de um lado, fez-se na Alemanha um tabu sobre a deportação de alemães. Por exemplo, os milhões de alemães expulsos dos sudetos, depois da Segunda Guerra Mundial, como vingança pelos crimes cometidos pelos nazistas na antiga Tchecoslováquia. Mas, de outro lado, começou o deslocamento forçado de pessoas no coração da Europa - na Bósnia, Croácia, no Kosovo e em outros membros do Conselho da Europa.

"A deportação tornou-se novamente um problema europeu", diz o representante da Sociedade para Povos Ameaçados, "e não reagir, só observar e tolerar é uma regra dos governos europeus. Mesmo as tropas internacionais de proteção nos focos de conflito não detêm a violência para impedir expulsões de grupos étnicos".

As primeiras levas de deportações na Europa registradas pela ONG datam da primeira metade do século 20, quando entre 50 milhões e 80 milhões de pessoas foram expulsas de suas pátrias. As vítimas eram principalmente albaneses, sérvios, ciganos e chechenos.

Bombardeios e estupros

Entre os 4,3 milhões de deslocados europeus, que aguardam atualmente o momento de retornar à pátria, há muito medo de novos ataques ou que as autoridades de seus países impeçam o seu retorno. Muitos deles são traumatizados, como descreve a chechena Lisa Bersanova. Ela vive como exilada política em Nurembergue e representa o movimento dos seus compatriotas refugiados na Alemanha.

"Bombardeios maciços, execuções, estupros, limpezas étnicas, prisões, tortura nos campos de prisioneiros e perseguições do povo checheno pelo Estado russo fazem parte do cotidiano", disse ela. E acrescenta: "As expulsões do povo checheno lembram a experiência triste dos alemães depois da Segunda Guerra Mundial. Nós chechenos somos solidários com os alemães e outros povos e saudamos, de coração, a criação do Centro contra Deportação."

O centro será principalmente para cuidar dos deslocados vivos, mas também para impedir novos crimes de deportação e massa e, segundo seus mentores, servirá ainda para lembrar as mais de 15 milhões de pessoas que foram expulsas de suas pátrias no Leste Europeu, entre 1945 e 1948, quando terminou a Segunda Guerra Mundial na Europa. Cerca de três milhões delas morreram em conseqüência da deportação, segundo a Sociedade para Povos Ameaçados.