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Mundo

Microfones captam críticas de FHC aos EUA

Presidentes do Brasil e México reclamam falta de apoio dos EUA ao desenvolvimento. Conferência termina sem avanços para Mercosul. Centro-americanos podem sonhar com acordo até 2004. Chávez questiona encontros de cúpula.

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Aznar (dir.) ironizou a gafe de Fernando Henrique: "O problema não está nos microfones, mas no que se diz"

Num encontro de cúpula que terminou sem maiores avanços nas negociações entre o Mercosul e a União Européia, os presidentes do Brasil e do México acusaram os Estados Unidos de pouco apoiarem o desenvolvimento econômico da América Latina. Segundo eles, os EUA deveriam assumir o papel que Alemanha e Grã-Bretanha tiveram, nos anos 80, de estimular a economia dos países mais pobres da UE (Portugal, Espanha e Grécia).

A crítica não foi pública. Fernando Henrique Cardoso e Vicente Fox conversavam em particular, sem saber que suas palavras estavam sendo gravadas, a metros de distância, por modernos microfones dos jornalistas. O primeiro-ministro espanhol ironizou a gafe dos chefes de Estado latino-americanos. "O problema não está nos microfones, mas no que se diz", disse José Maria Aznar, que preside atualmente a União Européia.

Comparada à situação do Brasil, Vicente Fox não teria muito o que reclamar. Além de participar do Nafta, a zona de livre comércio da América do Norte, integrada também pelos Estados Unidos e Canadá, o México possui acordo em igual sentido com a UE há dois anos.

Resistências ao Mercosul - Já para Fernando Henrique a viagem para a cimeira entre 48 países da União Européia, América Latina e Caribe foi praticamente perdida. Quem bloqueia o tratado são os produtores rurais europeus que temem a concorrência das exportações do Mercosul. Uma abertura causaria sobretudo problemas para o mercado europeu de carne bovina, altamente subvencionado.

"Sabemos que temos temas difíceis para resolver. Mas o importante é que vamos tentar resolve-las a partir de julho. Isto não significa, porém, que temos um prazo", ressaltou José Maria Aznar, referindo-se ao próximo encontro de trabalho das comissões negociadoras da UE e do Mercosul, em Brasília.

Os resultados concretos da conferência de cúpula resumem-se ao tratado de livre comércio com o Chile e a um programa de bolsas para estudantes latino-americanos, no valor de 89 milhões de euros. Além disso, houve somente declarações e promessas. Por exemplo, de maior cooperação no combate ao terrorismo e ao narcotráfico, e ajuda para o fortalecimento das democracias latino-americanas.

Aproximação com restante da AL - Sem resolver os obstáculos com o Mercosul, a UE acenou para o Mercado Comum Centro-americano, com a abertura e conclusão de um acordo até o fim de 2004. Promessas de uma aproximação recebeu também a Comunidade Andina, presidida atualmente pelo chefe de Estado da Bolívia.

"É impossível ter programas integrais de combate ao narcotráfico, se eles não são complementados com medidas que nos permitam substituir a economia da coca com produtos agrícolas ou industriais. Para isso, precisamos de acesso a mercados", ressaltou José Quiroga, satisfeito com o sinal da UE.

Protestos de Chávez e nas ruas - Decepcionado com a conferência, o presidente da Venezuela questionou a utilidade de tantos encontros internacionais. "Nós vamos a uma conferência atrás da outra e nossos povos vivem permanentemente à beira do abismo", observou Hugo Chávez. Ausente de todas as reuniões deste sábado, ele lembrou que, há dois anos, uma conferência da ONU decidiu reduzir a pobreza. "Agora os dois anos já passaram e a pobreza continua a crescer", reclamou.

Do lado de fora do Palácio dos Congressos de Madri, o sábado foi marcado por uma manifestação no centro da capital espanhola. Milhares de pessoas protestaram pacificamente contra a globalização. Os participantes acusaram a Europa de não apoiar relações comerciais justas com a América Latina e reivindicaram o perdão às dívidas dos países mais pobres.

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