1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Meu pedaço de terra: o pequeno livro de orações do egípcio Mina

Um livrinho de orações é o que liga Mina, de 25 anos, ao Egito, seu país de origem. Cristão copta, ele fugiu em 2013 da violência dos radicais islâmicos.

Milhares de refugiados chegam atualmente à Alemanha. São pessoas que deixaram para trás amigos e família, trabalho e casa – e isso talvez para sempre. Em nossa série de reportagens "Meu pedaço de terra", apresentamos aqui alguns refugiados e suas histórias, sob suas perspectivas: subjetivas e sem julgamentos. E mostramos que eles, apesar de uma fuga perigosa, trouxeram consigo um objeto: o "pedaço de terra" que puderam carregar.

Mina observa uma imagem colorida: nela, estão Maria e José saindo do Egito com o Menino Jesus no colo da mãe. Nas paredes de seu quarto no bairro Endenich, em Bonn, o refugiado Mina tem oito cruzes dependuradas. "Aqui me sinto seguro", diz o jovem de 25 anos. "Quando estou triste e tenho saudades da minha terra, rezo. Isso consola", conta.

Em frente à imagem reluzente, Mina colocou seu pequeno livro de orações: o seu "pedaço de terra". Do lado, dois bichos de pelúcia e outra cruz. Esse é seu canto de orações, seu lugar de devoção. Mina é um cristão copta muito religioso. Ser fotografado pela DW é algo que ele não quer de forma alguma. Em Bonn, onde o abrigo Paulus acolheu há algumas semanas centenas de refugiados como Mina, há também salafistas islâmicos radicais, dos quais Mina tem medo.

Faca no estômago

O jovem egípcio teme cair de novo nas garras de fanáticos religiosos. Ele nunca vai se esquecer do terrível dia, há sete anos, quando a comunidade copta de Said, localizada no centro do Egito, quis batizar uma muçulmana adulta no ritual cristão. Foi quando uma multidão invadiu a igreja aos gritos. A mulher que seria batizada foi sequestrada e Mina foi esfaqueado no estômago. Com esforço, ele levanta a camiseta para mostrar a cicatriz, que é tão longa quanto seu antebraço.

"Nem todos os muçulmanos são pessoas más", assegura Mina, "apenas os religiosos fanáticos", completa. Em sua terra natal, é impossível ver uma mulher sem véu pelas ruas ou alguém visitando a igreja durante o Ramadã, a festa muçulmana do jejum. "Eles nos tratavam mal todos os dias", conta o jovem. Mina concluiu o ensino médio e trabalhou como fotógrafo e em restaurantes. Há dois anos, ele tomou a decisão de fugir. "Não aguentei mais", conta.

Mina passou um ano na Líbia. Quando a situação começou a ficar perigosa por lá, ele voltou para o Egito. De avião, foi parar na Geórgia. No caminho de volta, aproveitou uma parada em Munique. Desceu da aeronave e entrou com requerimento de asilo no país. Isso foi em junho de 2013. Desde então, ele vive em Bonn, enquanto seus pais continuam no Egito. Ele os contata por telefone e Skype.

Leia mais