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Mundo

Meu pedaço de terra: as fotos de família de Amine na Tunísia

Não é a primeira vez que o jovem Amine, de 21 anos, está na Europa. Ele estudou na França e espera encontrar um trabalho na Alemanha como especialista em TI. De sua terra de origem, ele guarda apenas algumas fotos.

Milhares de refugiados chegam atualmente à Alemanha. São pessoas que deixaram para trás amigos e família, trabalho e casa – e isso talvez para sempre. Em nossa série de reportagens "Meu pedaço de terra", apresentamos aqui alguns refugiados e suas histórias, sob suas perspectivas: subjetivas e sem julgamentos. E mostramos que eles, apesar de uma fuga perigosa, trouxeram consigo um objeto: o "pedaço de terra" que puderam carregar.

Todos os pertences de Amine cabem em uma mochila: algumas camisetas, duas calças jeans, sabonete e um celular. O aparelho cuja bateria descarrega quase que de hora em hora e só recarrega à custa de muita paciência. Os dados ali armazenados lembram o jovem tunisiano de 21 anos de idade quase diariamente que ele deixou sua casa para trás. Ou seja, seu celular é "seu pedaço de terra".

Ali há fotos de sua família: crianças sorridentes, sua casa e a rua onde brincava quando criança. "Às vezes pergunto minha mãe o que ela costumava comprar ou peço para meu pai me mostrar a casa no Skype". Uma de suas imagens preferidas é aquela onde aparecem os dois filhos de seu irmão sentados sobre uma espreguiçadeira. A sobrinha de Amine empurra a barriga para a frente e sorri contente para a câmera, enquanto seu irmão recosta-se sobre seu ombro. A família ainda mora em Túnis. Amine conta que resolveu seguir sozinho para a Alemanha, em fuga dos riscos do terrorismo, da pobreza e da falta de perspectivas em seu país. Ele relata tudo isso com pouca emoção e só quando olha as fotos é que seu semblante fica mais sereno.

Mesmo que em relação a outros países da Primavera Árabe a Tunísia seja considerada relativamente estável, as redes terroristas conseguem angariar por lá adeptos, especialmente nas regiões mais pobres. Estimativas apontam que mais de cinco mil combatentes da milícia terrorista Estado Islâmico (EI), atuantes na Síria e no Iraque, vêm da Tunísia – ou seja, mais do que de qualquer outro país árabe. Em junho de 2015, ocorreram atentados em Sousse, cuja autoria foi assumida pelo EI. Amine preocupa-se muito com seu irmão que trabalha como policial em Túnis: "Uma de suas tarefas é combater o terrorismo. Quando acontecem atentados, minha mãe entra em pânico, querendo saber se ele está bem. Até hoje, ela sempre ouviu que nada tinha acontecido".

Há cinco meses, Amine espera no Departamento Estadual Social e de Saúde de Berlim (LaGeSo, na sigla original) pelo chamado de sua senha, a fim de que seu pedido de asilo seja de fato iniciado. Até então ele permanece, no sentido estritamente jurídico, ilegal na Alemanha. E por isso prefere não ser fotografado pela DW, a fim de não ser reconhecido. Amine fala da esperança de "uma vida melhor na Alemanha". Ele aguarda um recomeço. Ou seja, a luz, depois de longo tempo, no fim do túnel. "Preciso seguir meu caminho sozinho e às vezes penso que não vou conseguir sem minha família", diz ele. Para aplacar a solidão, nem a melhor ligação via Skype adianta, diz o tunisiano com voz baixa e trêmula.

Amine tinha certeza de que encontraria mais rapidamente um trabalho em Berlim, visto que estudou TI na França. "Desde que cheguei, enviei meu currículo para quatro empresas. Todas me ligaram, mas quando falo que sou refugiado e que espero no LaGeSo, todos dizem: "Vamos esperar sua situação melhorar. Aí entramos em contato".

No LaGeSo Amine lembra-se que, ao contrário do que acontece com muitos outros refugiados, sua casa está de pé e nenhum membro da família foi morto em consequência de um ataque à bomba. "Quando vejo crianças pequenas com suas mães dormindo nas ruas ou pessoas que não comem nada há dois dias, fico muito triste. Não quero reclamar de nada", pondera o tunisiano.

Qual seria a alternativa? Amine só voltaria para seu país caso não houvesse nenhum progresso em sua situação depois de um ano na Alemanha. Nesse caso, seu maior temor é aquele mencionado de passagem, quase sem querer: "Quando vejo as notícias da Síria, tenho medo de que a Tunísia fique assim um dia". Ao pensar nisso, Amine gira ansiosamente o dedo sobre o display de seu celular.

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