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Cultura

Metrô leva arqueólogos à era romana

Colônia prepara-se para um dos maiores empreendimentos de sua história: a construção de uma linha de metrô sob o centro histórico de mais de 2 mil anos.

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Em Colônia, arqueologia e construção civil atuam juntas

Os arqueólogos do Museu Romano-Germânico de Colônia não vêem a hora de arregaçar as mangas nos canteiros de obras do metrô no centro histórico da cidade. Graças à legislação, eles terão direito de vasculhar todos os buracos que serão abertos em breve pelas empreiteiras para a construção de cinco estações na região que engloba o núcleo da colônia romana fundada às margens do Rio Reno ainda antes de Cristo até a área de expansão no período medieval.

O empreendimento é comparável ao do metrô de Atenas e Londres, assim como às escavações do Grand Louvre em Paris, segundo o arqueólogo Marcus Trier. O coordenador do projeto considera que a intervenção causará "a perda de parte da história subterrânea" da cidade, mas por outro lado poderá render conhecimentos significativos sobre o passado de Colônia.

Túneis serão escavados subterraneamente

Exatamente para poupar os fundamentos históricos, a futura linha do metrô ficará abaixo das camadas urbanas mais antigas. Os pesquisadores estimam que eles estejam entre dois e seis metros de profundidade, chegando porém a até 13 metros na região do velho porto romano, completamente aterrado. Os túneis, por onde as composições do metrô correrão a partir de 2010, serão abertos por máquinas escavadoras subterrâneas especiais, como um tatu, sem necessidade de se abrir buracos na superfície. No entanto, nos locais em que serão construídas as estações, a agressão aos sítios arqueológicos não poderá ser evitada.

Há anos, o Museu Romano-Germânico vem se organizando para participar da odisséia. "Estamos bem preparados. Vale o velho ditado arqueológico: só se encontra aquilo que já se conhece", diz Hansgerd Hellenkemper, diretor da instituição. Sob a coordenação de Marcus Trier, a equipe do museu elaborou amplos relatórios com informações arqueológicas, históricas e topográficas das áreas a serem pesquisadas. Assim, os cientistas podem prever o que devem encontrar.

Em busca de porto e templo romanos

Fußball-WM 2006 Deutschland Kölner Dom mit Hohenzollernbrücke

Colônia tem mais de dois mil anos de história

Saindo-se da Estação Ferroviária Central, onde já existe uma parada subterrânea de metrô, a próxima escala da viagem ao passado coloniano será sob a praça Alter Markt, junto à velha Prefeitura (Praetorium). Nos primeiros tempos da então chamada Colonia Claudia Ara Agrippinensium, ali ficava o porto romano, num leito paralelo do Rio Reno, mais tarde aterrado. Ao norte do local, espera-se encontrar os fundamentos de um anexo do Palácio Episcopal demolido em 1674.

De acordo com estudos do Museu Romano-Germânico, sob a parada seguinte, na praça Heumarkt, existia no passado um edifício romano com planta quadrada, que provavelmente era um templo. "A que deus ele era dedicado, ainda não sabemos. Talvez consigamos identificá-lo com base nos fundamentos", diz o diretor Hellenkemper. Ali perto, os pesquisadores vão procurar sinais de um mosteiro agostiniano fundado no século 13 e demolido no 19 para a construção de uma casa de festas sociais, por sua vez derrubado em 1939 pelos nazistas durante a reurbanização da cidade.

Fortificações no antigo limite sul

Na futura parada subterrânea do metrô na rua Severinstrasse, o objetivo será descobrir os fundamentos do Portal de São João (Johannispforte), entrada de uma fortificação que os colonianos construíram em 1106 em menos de seis semanas. "Será a primeira vez que haverá uma pesquisa arqueológica dos portões desta fortificação", ressalta Trier. Ela era composta por trincheiras e fossos, jamais investigados. Quando o segundo grande muro medieval foi completado por volta de 1250, as trincheiras foram desfeitas; os fossos, aterrados; e diante do Johannispforte foram construídas igrejas e outros prédios.

A última estação no subsolo da parte romano-medieval da cidade, na direção sul, ficará sob a praça Chlodwigplatz. Debaixo da hoje moderna urbanização, os arqueólogos prevêem encontrar os muros de um bastião, erguido na segunda metade do século 15 como modernização da fortificação da cidade, diante do avanço da tecnologia bélica na época, por exemplo o uso de armas de fogo pesadas. As instalações ainda estiveram em uso até o período prussiano. Segundo Hellenkemper, os colonianos de hoje nunca viram algo igual.

Maior projeto viário do momento

O trecho subterrâneo terá ao todo quatro quilômetros de extensão e seis novas estações no subsolo. A linha voltará a céu aberto na zona sul da cidade, estendendo-se até o extremo sul da área urbana de Colônia. O investimento está orçado em 550 milhões de euros, a serem 90% financiados pelos governos federal e estadual. É a maior obra de infra-estrutura urbana da Alemanha do momento. Quando entrar em funcionamento em 2010, deverá transportar 70 mil passageiros por dia.

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