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Alemanha

Metade dos alemães vê seu país como potência mundial

Pesquisa revela que autoconfiança dos alemães aumenta, mas a opinião pública internacional não vê o país como potência mundial. Autora do estudo descarta que forte auto-estima seja sinal de novo nacionalismo alemão.

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Copa 2006 fortaleceu auto-estima dos alemães

Pela segunda vez, a Fundação Bertelsman entrevistou 9 mil pessoas em nove países – Alemanha, Brasil, China, EUA, França, Índia, Japão, Reino Unido e Rússia – sobre "quem governa o mundo".

Os alemães relevam uma elevada auto-estima: 49% consideram o país uma potência mundial, e 46% acreditam que a Alemanha exercerá também no futuro um papel de liderança no mundo.

A opinião pública internacional, porém, está longe de dar tanta importância à Alemanha. Na média mundial, apenas 30% dos entrevistados atribuem ao país um papel de liderança mundial. Para 2020, isso é esperado apenas por 25%.

Uma discrepância semelhante é constatada pela pesquisa em relação ao Brasil. Enquanto um terço dos brasileiros acredita que o país será uma das potências mundiais já em 2020, apenas 11% da população dos demais países partilha essa opinião (apenas 5% vêem o Brasil já hoje como potência mundial).

Enquanto os entrevistados de quase todos os países apontam a força econômica como principal característica para um Estado se tornar potência mundial, para os alemães e brasileiros, esse critério aparece somente em terceiro lugar.

Apenas 38% dos brasileiros vêem a força da economia como um dos três fatores de poder mundial mais importantes – o menor percentual na comparação mundial. Para eles, a principal condição para ser potência mundial é a capacidade de desempenho das áreas de educação e pesquisa (58%), e para os alemães é a estabilidade política do país (70%).

Ao contrário da constatação feita principalmente no Brasil, na Índia e na Rússia, onde o número de opiniões favoráveis ao fortalecimento do papel da ONU e da União Européia ficou bem abaixo da média mundial, 66% dos alemães esperam que essas duas organizações desempenhem um papel mais forte para garantir a paz e a estabilidade no mundo.

Em entrevista à DW-WORLD.DE, a autora da pesquisa, Stefani Weiss, analisa os resultados da enquete referentes à Alemanha.

DW-WORLD.DE : A senhora ficou surpresa com o resultado?

Stefani Weiss: Sim, devo dizer que sim. Normalmente pensamos que somos reservados, mas mesmo o primeiro estudo, realizado por nós em 2005, mostra que temos uma porção saudável de autoconfiança. Acho que as razões podem ser vistas em outros levantamentos, que mostram que a Alemanha é um grande país exportador e que se manteve durante muito tempo em terceiro lugar no ranking das economias mundiais.

Nos nove países em que se realizou a consulta não houve uma opinião predominante sobre o que define uma potência mundial. Quais são as mais importantes características para os alemães?

A pesquisa mostra que os alemães, mais do que outras nações, não vêem a força militar como uma qualidade importante de uma potência mundial. Se você olhar para as qualidades que os alemães atribuem às potências, verá que são a estabilidade política e a vitalidade da economia. Se você juntar essas duas coisas, chegará à opinião que os alemães têm a respeito de si próprios.

Ao mesmo tempo, sua importância é um pouco minimizada. Em função do nosso passado, sabemos que há acusações históricas de que a Alemanha tende à megalomania. Mas se você olhar para os resultados do estudo à luz das qualidades que os alemães consideram características de potências mundiais, então a Alemanha com certeza faz parte do grupo – por causa do seu Produto Nacional Bruto e da estabilidade política.

A percepção dos alemães a seu próprio respeito como potência mundial aumentou desde o estudo de 2005 de 8% para agora 49%. A senhora acredita que o papel internacional que o país desempenhou este ano na presidência da União Européia e do G8 teve influência na opinião dos alemães?

Certamente contribuiu para mostrar às pessoas que não somos responsáveis apenas por nós mesmos, mas que também temos uma responsabilidade no mundo. Durante anos houve uma acusação de que a Alemanha estava muito ocupada consigo própria, mas não acho que essa acusação possa continuar sendo feita.

Os alemães dizem que, depois da ONU e da UE, eles próprios deveriam ser os próximos a assumir mais responsabilidade internacional. Existe entre os alemães a sensação de não estarem fazendo o suficiente em nível internacional?

A acusação a que tivemos de responder no passado recente é de que estamos fazendo muito pouco. Este é o problema da história da Alemanha: sempre que nos envolvemos, desagradamos alguém. Tivemos dificuldade em assumir responsabilidades fora da Otan. A missão no Kosovo sob Schröder e Fischer [ex-chanceler federal e ex-ministro do Exterior, respectivamente] foi com certeza difícil para os alemães, da mesma forma que o engajamento civil e militar no Afeganistão continua sendo regularmente debatido.

Os debates continuam mesmo quando outros países apelam para assumirmos mais responsabilidade. No momento nos mostramos extremamente reservados e para nós é muito, muito difícil nos engajarmos. Não vejo como um mau sinal se a população é de opinião que deveríamos contribuir mais.

Como isso combina com a opinião dos alemães de que as Nações Unidas e a União Européia devem assumir um papel maior quando se trata da manutenção da paz e da estabilidade no mundo?

Isso mostra que a auto-estima existente vem temperada com multilateralismo. Quando se trata dos destinos do mundo, os alemães dizem que gostariam de uma governança global e que a UE, em especial, deveria desempenhar um papel mais importante.

Como a Alemanha dá precedência à ONU e à UE, não acho que a autoconfiança dos alemães possa ser interpretada como um novo nacionalismo. A Alemanha se vê como uma nação importante no âmbito das grandes potências, mas ainda quer ser conduzida pela ONU e pela UE. A Alemanha não está num rumo nacionalista e presunçoso, mas sim caminhando de fato na direção oposta.

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