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Mundo

"Meta é desestabilizar governo"

Três explosões no balneário egípcio de Dahab deixaram 23 mortos e mais de 60 feridos. Para especialista alemão, condições geopolíticas do Sinai favorecem atentados, cuja meta seria abalar turismo e economia do país.

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Restos de uma bicicleta na orla de Dahab

As três explosões, que deixaram até agora um saldo de 23 mortos e mais de 60 feridos em um balneário turístico de Dahab, na Península do Sinai, são o terceiro atentado terrorista sofrido pelo Egito no último ano e meio. As bombas explodiram nesta segunda-feira (24/04) em um café, um restaurante e um supermercado. Entre os mortos, há uma criança alemã, segundo informações do Ministério egípcio do Interior.

Até agora, ninguém reivindicou a autoria dos atentados, embora a forma como foram organizadas as explosões seja muito semelhante à de atentados anteriores na região, como o ocorrieo em Taba, em outubro de 2004, e em Sharm el-Sheik, em julho de 2005.

Comunhão de diversos fatores

As explosões ocorreram um dia antes do feriado no qual os egípcios comemoram a devolução do Sinai por Israel em 1982, e coincidiram também com os festejos da Páscoa cóptica, comemorada pelos cristãos egípcios. Grande parte dos hotéis estavam lotados, em sua maioria por turistas locais, embora haja entre os feridos russos, italianos, alemães e americanos.

Ägypten Terroranschläge in Badeort Dahab

Pegada sangrenta no balneário no Mar Vermelho

O atentado de Sharm el Sheik, de 2005, também antecedera um feriado nacional, a comemoração da revolução de 1952, através da qual os egípcios depuseram o antigo rei Faruk. Especialistas vêem na proximidade a datas históricas um indício de que o mais provável alvo de tais atos terroristas seja o próprio governo do país, que, segundo a oposição, teria se rendido a influências ocidentais.

Possíveis causas para os mais recentes ataques no Sinai podem ser encontradas na comunhão de diversos fatores: além da existência de uma oposição radical, seria preciso levar em conta a insatisfação de parcelas mais pobres da sociedade, como os beduínos que habitam a península e mantém há tempos uma tensa relação com o governo central, pelo qual se sentem tratados como cidadãos de segunda classe. A influência do terrorismo internacional é outro fator que não pode ser ingnorado.

Tudo isso somado às condições geográficas favoráveis na porção oriental da costa do Sinai: uma vasta região de cerca de 60 mil quilômetros quadrados praticamente desabitados no interior da península, contornada por quase 200 quilômetros de uma costa de difícil controle. Além disso, a fronteira com a Arábia Saudita na costa oriental do Golfo de Ácaba e, ao sul, com o Iêmen, ambos países onde há presença de extremistas islâmicos, criam um terreno propício a ataques terroristas na região.

Responsáveis vêm do Sinai, diz especialista alemão

Para Günter Meyer, diretor do Centro de Pesquisa do Mundo Árabe da Universidade de Mainz, "os atentados a regiões turísticas contribuem, antes de mais nada, para desestabilizar a economia". Segundo ele, "quase 25% da população economicamente ativa do país depende direta ou indiretamente do turismo." A cada ano, visitantes deixam mais de sete bilhões de dólares no Egito.

Karte Ägypten Dahab Brasilianisch

Mapa mostra Dahab na porção oriental da península

Para Meyer, os responsáveis pelas explosões se encontram no norte da península, atualmente ocupado pelo exército egípcio, que, desde as últimas explosões, tem feito inúmeras prisões, muitas vezes arbitrariamente. Ele não descarta ainda a possibilidade de uma aliança entre beduínos locais a grupos ligados à Al Qaeda e a terroristas palestinos.

Europa e EUA condenam atentados

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, condenou severamente os atentados dirigidos a pessoas inocentes e se mostrou chocado com os relatos da destruição, segundo um porta-voz da organização em Nova York.

Em comunicado oficial, a atual presidência do Conselho Europeu, em Viena, salientou que "mais uma vez as forças terroristas trouxeram desespero e sofrimento a civis inocentes. A União Européia está unida ao governo do Egito na luta contra o terrorismo em todas as suas formas". Em um comício em Las Vegas, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, caracterizou o ocorrido como "uma atrocidade contra cidadãos inocentes". O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, e o governo liderado pelos radicais islâmicos do Hamas também condenaram "esses crimes horrendos" que, segundo um porta-voz, "tinha turistas inocentes e a população egípcia como alvo".

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