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Copa do Mundo

Mesmo após goleada histórica, brasileiros preferem ver Alemanha campeã

Além da tradicional rixa com a Argentina, respeito e carisma apresentados pela seleção alemã fazem muitos torcedores apoiar a equipe que massacrou o Brasil no Mineirão. Mas há quem prefira torcer pelos hermanos.

Os brasileiros ainda não se recuperaram do choque da eliminação por 7 a 1, mas já sabem para quem vão torcer na final da Copa do Mundo. Definitivamente, "Somos todos Alemanha", é a afirmação de todos – ou melhor, de quase todos. Há também alguns poucos que vão vestir a camisa da Argentina no próximo domingo (13/07).

Logo após a classificação dos hermanos nesta quarta-feira, a hashtag #SomosTodosAlemanha virou febre nas redes sociais e escancarou a preferência nacional. Até mesmo o diário esportivo Lance! declarou apoio aos alemães e publicou nesta quinta-feira uma capa com a manchete "Alemães desde criancinha – A Alemanha acabou com sonho do hexa brasileiro. Que impeça agora o tri dos argentinos!".

Após a derrota brasileira, demonstrações de solidariedade por parte de jogadores da Alemanha contribuíram para aumentar a torcida pela seleção germânica.

Em sua conta no Twitter, Podolski pediu, em português, respeito à "Amarelinha": "O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol". Em entrevista, Schweinsteiger se solidarizou com os brasileiros e pediu desculpas pela goleada, afirmando sentir-se um pouco triste pelo Brasil.

A Federação Alemã de Futebol (DFB) também publicou, em seu perfil no Facebook, uma mensagem aos brasileiros: "Desde 2006 sabemos como é doloroso perder uma semifinal no próprio país. Desejamos tudo de bom e o melhor para o futuro para vocês."

Fußball WM 2014 Halbfinale Deutschland Brasilien

Schweinsteiger (d) pediu desculpas pela goleada. Declarações de jogadores foram bem recebidas por muitos brasileiros

Postura exemplar

Para Tiago Rios, de 32 anos, os jogadores alemães tiveram uma postura exemplar. "Sempre que se referem ao time brasileiro, usam a palavra 'Seleção', em português. São pequenas coisas que mostram respeito", diz.

Tiago, que teve a Alemanha como segundo time favorito durante todo o campeonato, não sentiu raiva de seus algozes. "O problema foi a incompetência do Brasil. Odiar os alemães seria encobrir os nossos próprios defeitos. Eles ganharam porque jogaram bem e limpo", defende.

Mas ele reconhece que a rivalidade contra a Argentina também pesa na decisão de apoiar a Alemanha. "Vou torcer muito, até porque, se os argentinos ganharem no Maracanã, será o fim do mundo", lamenta.

Carisma alemão

Deutschland WM 2014 Podolski auf dem Cover der brasilianischen Zeitung Lance

"Lance!" escancara preferência

Já para Ellen Rodrigues, de 22 anos, a rixa com os vizinhos não influencia a decisão de torcer pela Alemanha. "Se a final fosse França e Argentina, por exemplo, eu torceria pelos hermanos", garante.

Ellen apoiou a seleção alemã durante todo o Mundial. Foi até ao estádio para assistir a dois jogos, vestindo a camisa reserva da Alemanha – inspirada em seu time, o Flamengo. "Os alemães são uma graça. Impossível não torcer por eles, que estão dando um show de carisma. Cheguei a ir aos hotéis em que ficaram hospedados atrás dos jogadores", conta.

O treinador de futebol infantil, Renato Correia, de 44 anos, também diz que vai torcer pelos alemães por "afinidade", e não com o objetivo de impedir uma vitória argentina. "Claro que a rivalidade contribui, mas, no meu caso, é porque a Alemanha merece. É o melhor time da Copa."

Correia também ressalta a consideração que os jogadores alemães tiveram com os brasileiros durante o confronto. "Se fosse o contrário, iríamos fazer piada, dar toque de calcanhar, esbanjar. Acho até que os alemães diminuíram o ritmo para poupar o Brasil de uma humilhação maior."

Afinidade latino-americana

Renato Correira

Renato Correia diz que vai torcer pelos alemães por afinidade e não para impedir a vitória argentina

Se a Alemanha reúne fãs no Brasil, também a seleção de Messi encontra simpatizantes por aqui. Quem torce pela Argentina argumenta que é importante que a taça seja conquistada por um país latino-americano. "[A Copa] é no nosso continente, não quero que um europeu ganhe", afirma o taxista Manuel Messias, de 45 anos.

Messias acredita que os argentinos são culturalmente parecidos com os brasileiros. "Eles são como nós, sofrem muito por futebol", diz. O taxista conta que torce pela Argentina desde o início da Copa. Segundo ele, a taça traria alegria ao povo argentino, que passa por "dificuldades econômicas".

André Rodrigues, de 31 anos, também se identifica com o país vizinho. Quando criança, costumava dizer que tinha nascido com a nacionalidade trocada. "Era mais de birra. Hoje eu me sinto totalmente brasileiro. Mas, no futebol, a seleção azul e branca me empolga muito mais", conta.

André foi uma criança incomum. Tinha pôsteres de Maradona e Batistuta em seu quarto e, desde a Copa do Mundo de 1990, torce pela Argentina. "A única vez que torci pelo Brasil foi em 2002, porque o Marcos, ídolo do meu time, o Palmeiras, era o goleiro da seleção", relembra.

Em 1995, numa partida da Copa América, o Brasil ganhou de virada da Argentina, e André, com pouco mais de 10 anos, chorou copiosamente. "Eu nunca vi a Argentina ser campeã", reclamou, então, aos prantos.

Com a classificação contra a Holanda nesta quarta-feira, o torcedor viu o sonho infantil renascer. No próximo domingo, ele espera não cair em lágrimas novamente.

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