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Mundo

Merkel reafirma rigoroso curso alemão no combate à crise

Apesar de críticas no Parlamento Europeu, premiê alemã se pronunciou por reformulação de instituições da UE. Partidária declarada da visão de "Estados Unidos da Europa", partiu para Londres para enfrentar os eurocéticos.

Diante do Parlamento Europeu, em Bruxelas, a chefe de governo alemã, Angela Merkel, defendeu nesta quarta-feira (07/11) a política de Berlim no combate às crises monetária e de endividamento na Europa. E propôs nada menos do que a reformulação radical da união econômica e monetária, com vistas a sua estabilização, dentro dos próximos três anos.

Apesar das críticas dos parlamentares, a chanceler federal se pronunciou pela continuação de reformas que fomentem a competitividade de cada país. Ela apontou, ainda, a necessidade de que se criem novos cargos e competências dentro da União Europeia. Para tal, não se devem temer emendas aos acordos correspondentes, ressaltou.

"Possivelmente também será necessária uma coordenação político-econômica mais rigorosa, lá onde setores-chave da soberania nacional sejam afetados. Estou pensando em setores políticos sensíveis, como o mercado de trabalho ou a política tributária. É claro que aqui devemos proceder com cautela."

O princípio da subsidiaridade e os processos democráticos nacionais deverão ser respeitados. É preciso haver um "equilíbrio razoável" entre novos direitos de intervenção em nível europeu" e a liberdade de estruturação para os países-membros, ressalvou.

Sacrifício dos cidadãos

Portugal Krise Finanzkrise Euro EU Symbolbild Rettungsschirm

Prioridade é salvar o euro, diz chenceler alemã em Bruxelas

A política conservadora cristã apelou ainda para que as instituições da UE "sejam fortalecidas, a fim de que se possam corrigir com eficácia as más condutas e as infrações". Seriam igualmente necessárias mudanças no tratado da União Europeia, de modo a eliminar falhas presentes na fundação das uniões econômica e monetária. "Devemos ser criativos, encontrar soluções próprias, novas", instou os parlamentares europeus.

Na estruturação de um novo sistema de supervisão bancária, é preciso que "qualidade tenha primazia diante da rapidez", comentou Merkel. Segundo ela, as instâncias europeias necessitam de "verdadeiros direitos de intervenção sobre os orçamentos nacionais", caso não sejam respeitados os valores-limites estabelecidos de comum acordo.

Tal concessão de direitos visaria evitar tanto o acúmulo de dívidas quanto buracos orçamentários. Por sua vez, os Estados-membros devem combater a crise com reformas e duras medidas de consolidação, ainda que isso exija muito dos cidadãos, sobretudo nos países em crise.

"Estados Unidos da Europa"

A premiê alemã assegurou que os primeiros êxitos no combate à crise já são visíveis. Mas, segundo ela, "ainda há muito a ser feito, para que se reconquiste a confiança na União Europeia como um todo".

Ao final de sua estada em Bruxelas, Merkel se revelou uma adepta da visão dos "Estados Unidos da Europa". "Sou a favor de que a Comissão Europeia se torne algo como um governo europeu. E sou a favor de que o Conselho Europeu seja algo como uma segunda Câmara. E sou a favor de que o Parlamento Europeu seja o responsável pelos assuntos europeus."

A democrata-cristã não estipulou um prazo para essa sua vaga visão, porém assegurou: "Em minha opinião, não será possível prescindir disso durante muito tempo". Por outro lado, "hoje precisamos primeiro salvar o euro e construir um alicerce sólido".

Ameaça britânica

Angela Merkel und David Cameron

De Bruxelas, Merkel vai a Londres discutir orçamento da UE

Na noite da própria quarta-feira, Merkel partiu para Londres, onde se encontra com o primeiro-ministro britânico, David Cameron. No momento, os países da União Europeia debatem o orçamento bilionário para o período de 2014 a 2020, e o governo britânico é visto como a ameaça mais séria a um eventual consenso durante a cúpula extraordinária de 22 e 23 de novembro.

Londres, que atualmente persegue uma política de crítica à Europa, anunciou seu veto contra o orçamento da UE, como forma de impor duros cortes. Merkel contrapôs-se aos apelos de eurocéticos britânicos pela saída de seu país da UE.

"Quero um Reino Unido forte dentro da União Europeia. Não consigo imaginar de forma alguma – ainda hoje temos soldados britânicos na Alemanha! – que o Reino Unido deixe de pertencer à Europa." Além do mais, os britânicos precisam reconhecer que "neste mundo, ilhas não são mais felizes sozinhas".

AV/afp/dpa/dapd
Revisão: Francis França

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