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Alemanha

Merkel quer fechamento de Guantánamo

Às vésperas de sua primeira visita a Washington, chanceler federal alemã critica tática antiterror dos EUA e defende o fim da prisão norte-americana de Guantánamo, em Cuba. Proposta é elogiada pela oposição na Alemanha.

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Chanceler federal alemã 'emancipa-se' da Casa Branca

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, dá sinais de querer fortalecer a independência da Alemanha nas relações com os EUA. Em sua primeira visita a Washington, na próxima semana, ela quer pedir ao presidente George W. Bush o fechamento da prisão norte-americana de Guantánamo, em Cuba, onde se encontram detidos supostos terroristas.

"Uma instituição como Guantánamo não pode nem deve existir de modo duradouro", disse Merkel em entrevista à edição deste fim de semana da revista alemã Der Spiegel. "É preciso encontrar caminhos e meios para dar um outro tratamento aos prisioneiros", acrescentou.

Na base de Guantánamo, controlada pelos EUA desde 1903, estão presos cerca de 500 suspeitos de envolvimento com a rede terrorista Al-Qaeda. Eles foram levados para lá depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Quarenta e quatro presos encontram-se em greve de fome, informou o exército norte-americano, nesta sexta-feira (06/01).

A chefe de governo da Alemanha prometeu abordar com Bush também as denúncias de maus tratos de detentos. "Parceiros como os EUA e a Alemanha devem conversar sempre sobre todos os temas. Mas as relações teuto-norte-americanas não devem ser reduzidas a essas questões e ao combate conjunto ao terrorismo", disse Merkel.

Os governos da Alemanha e da Turquia estão tentando libertar o turco Murat Kurnaz, nascido em Bremen e que se encontra detido em Guantánamo desde o início de 2002. Ele é acusado pelos EUA de haver apoiado a Al-Qaeda e o regime do Telebã no Afeganistão. Na prisão, Kurnaz foi também interrogado pelo serviço secreto alemão.

Aplausos da oposição

Guantanamo Protest

Protestos da Anistia Internacional contra prisão dos EUA em Cuba

As declarações de Merkel foram interpretadas como "sinal de emancipação" da líder alemã em relação à Casa Branca. Embora tenha apoiado Bush na guerra do Iraque (ao contrário do então chanceler federal Gerhard Schröder), ela aproveitou a primeira visita da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, à Alemanha para condenar as prisões secretas da Central de Inteligência Americana (CIA) e outros métodos duvidosos usados pelos EUA no combate ao terrorismo.

A crítica de Merkel à tática usada pelos Estados Unidos na luta contra o terror foi elogiada até mesmo pelos partidos de oposição. "É um sinal correto em direção a Bush", disse a presidente do Partido Verde, Claudia Roth. "Não devem existir espaços fora da lei em que seja transgrido o direito internacional", acrescentou.

Na opinião de Roth, a prisão de Guantánamo desacredita a democracia e é imprópria para o combate ao terrorismo. Ela pediu a Merkel que não só exija o fechamento do centro de detenção em Cuba, mas também o esclarecimento das prisões e vôos secretos da CIA na Europa. "Também para os nossos aliados vale o princípio de que a dignidade humana é inviolável", acrescentou o presidente do Partido Liberal, Guido Westerwelle.

Segundo o presidente da União Social Cristã, Edmund Stoiber, "com razão, Angela Merkel lembra os EUA, que defendem a paz e a liberdade no mundo, de que eles precisam reavaliar sua prática na prisão" [de Guatánamo].

"O sistema Guantánamo era e é falso e contraria os acordos e padrões do direito internacional. A prisão precisa ser fechada", disparou também o vice-líder da bancada social-democrata no Parlamento alemão, Walter Kolbow.

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