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Mundo

Merkel no Oriente Médio: firmeza mas também exagero

Ao manter sua programação, apesar das condições desfavoráveis, a premier alemã demonstrou firmeza. Porém suas declarações não foram sempre impecáveis. O analista da Deutsche Welle Peter Philipp comenta.

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Merkel planta oliveira no Memorial do Holocausto em Jerusalém

Já antes de seu giro pelo Oriente Médio, Angela Merkel mostrara saber movimentar-se nos meios diplomáticos sem se deixar abalar pelas dificuldades do percurso.

A chanceler federal da Alemanha confirmou essa impressão em Jerusalém, embora o momento da visita não pudesse ser mais desfavorável: o premier Ariel Sharon continua em coma, começaram as eleições, o grupo radical islâmico Hamas foi eleito nos territórios palestinos, e, ao fundo, acirra-se o conflito em torno das ambições atômicas do Irã.

Motivos bastantes para adiar uma visita de cortesia. Porém a viagem de apresentação de uma chefe de governo alemã faz parte do ritual entre os dois países. A ocasião já fora adiada, devido à doença de Sharon; e o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, também cancelara sua visita na última hora, devido ao escândalo em torno das atividades do serviço secreto alemão no Iraque. Por isso, era importante que Angela Merkel cumprisse esse compromisso.

Duras verdades para os palestinos

Angela Merkel in Palästina Machmud Abbas

A chanceler federal e o presidente dos palestinos, Mahmud Abbas

Mais importante ainda foram suas declarações sobre o resultado das eleições no território palestino, na qualidade de primeira política estrangeira presente na região, desde o fim do pleito: o Hamas tem que reconhecer o direito de existência de Israel, renunciar á violência e aceitar o processo de paz.

De outra forma, o apoio estrangeiro – em especial, europeu – aos palestinos é impensável. Tal mensagem parte não apenas da ligação especial entre a Alemanha e Israel, como também de uma sincera preocupação da comunidade internacional pela continuidade do processo de paz.

Com a vitória eleitoral do Hamas, a roda da História retrocedeu, e ajuda aos palestinos poderia ser interpretada como apoio à luta contra Israel – como era o caso antes do Acordo de Oslo. Os europeus não pretendem correr esse risco, e quem melhor do que Angela Merkel para anunciá-lo abertamente? Afinal, a Alemanha é quem fornece a maior parte dos 500 milhões de euros que vão da União Européia para os palestinos.

Exagero quanto ao Irã

Quanto a um segundo ponto, contudo, é possível que a chanceler tenha se excedido em sua solidariedade para com Israel. Embora aqui a culpa caiba, em primeira linha, à falta de visão e de direcionamento, por parte dos europeus, no que toca a política atômica do Irã.

Embora estes oscilem entre crítica, ameaça e persuasão bem intencionada, Merkel declarou em Jerusalém que o Irã seria "uma ameaça às nações democráticas da Terra". Sem dúvida, tais palavras satisfazem plenamente os israelenses. Mas não tocam o cerne da questão.

É justificada a crítica aos deslizes do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinedjad, contra Israel, assim como às suas absurdas declarações sobre o Holocausto. Até certo ponto é igualmente justificável a desconfiança quanto aos verdadeiros planos nucleares de Teerã.

Porém nada disso torna o Irã uma ameaça à democracia em escala mundial.

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