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Mundo

Merkel nega ter escolhido local para depósito de lixo nuclear por razões políticas

Chanceler federal depôs em uma CPI que investiga escolha da mina de Gorleben para armazenamento de resíduos durante sua gestão como ministra do Meio Ambiente. A acusação diz que decisão contrariou pareceres técnicos.

A chanceler federal alemã Angela Merkel negou nesta quinta-feira (27/09), em depoimento a uma comissão parlamentar de inquérito, as acusações de que teria cometido um grave erro na escolha da mina de Gorleben como depósito final de resíduos nucleares. Ela refutou as denúncias de que o governo teria optado pela opção mais barata e ignorado procedimentos legais ao optar pelas minas de sal na região. Merkel foi ministra do Meio Ambiente no período de 1994 a 1998, durante o governo do ex-chanceler Helmut Kohl.

Um estudo da Agência Federal de Geociências e Recursos Naturais, realizado em 1995, sustentava que outros 40 locais também tinham potencial para o armazenamento de lixo nuclear, o que levou a oposição a acusá-la de ignorar arbitrariamente os levantamentos técnicos. A chanceler reiterou que, na época, as análises indicavam as minas de sal de Gorleben como primeira opção e que “não havia provas de que não fosse um local adequado”.

A oposição acusa Merkel de ter autorizado escavações de túneis no local sem a realização de análise técnica para estimar possíveis danos. “Nossa opinião era de que havia a necessidade de coletar amostras para verificar se Gorleben seria um local apropriado”, afirmou Merkel, acrescentando que, até então, Berlim ainda não havia decidido se o local seria adequado para receber resíduos nucleares.

Análise parcial

ARCHIV Erkundungsbergwerk Gorleben Salzstock Endlager für radioaktive Abfälle

Mina de sal em Gorleben abriga resíduos desde 1977

Pesa contra a chanceler federal o fato de que as análises de segurança foram realizadas apenas na parte nordeste da mina, uma vez que o governo não teria adquirido todos os direitos sobre o terreno. Merkel admitiu que os peritos do seu ministério consideraram problemática a decisão de se realizar um exame apenas parcial, sem incluir a parte sudoeste da mina, mas ainda assim, acabaram por concluir que fazia sentido. Ela justificou o exame parcial afirmando que muitos proprietários teriam se recusado a vender seus terrenos ao Estado.

Merkel disse ainda que a escolha por Gorleben já havia sido feita anos antes de sua gestão como ministra, e que só consideraria outras alternativas caso houve provas reais de que região era inadequada para o depósito de resíduos nucleares. “Era meu dever continuar o trabalho”. A chanceler federal afirmou que até o final de sua gestão, em 1998, essas análises ainda não haviam sido concluídas, "como não foram até hoje".

Durante a gestão de Merkel como ministra do Meio Ambiente, a oposição criticou a publicação de um comunicado à imprensa intitulado “Gorleben continua sendo a primeira opção”, e instituiu em 2010 uma comissão parlamentar de inquérito para apurar se houve influência política na escolha do depósito final de resíduos nucleares.

Deputados do Partido Verde acusam Merkel de ter escolhido a opção mais barata em detrimento da segurança. Na opinião deles, a mina de sal não seria segura o suficiente para abrigar resíduos nucleares.

RC/dpa/lusa
Revisão: Francis França

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