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Mundo

Merkel mantém-se intransigente em relação à Turquia

Em viagem de dois dias à Turquia, chefe do governo alemão pisa em "campo minado" e exige que Ancara reconheça a República do Chipre como condição para o ingresso do país na União Européia.

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Merkel e Erdogan: aproximação apenas aparente

A primeira viagem oficial da chanceler federal alemã, Angela Merkel, à Turquia, iniciada nesta quinta-feira (05/10), é "talvez a mais importante e difícil do ano. Ela pisa num campo minado. Só se pode torcer que consiga atravessá-lo bem", disse o perito em política externa do Partido Social Democrata (SPD), Gert Weisskirchen.

A visita ocorre num momento delicado porque as negociações entre Ancara e Bruxelas sobre o ingresso do país na União Européia (UE) estão paralisadas. Motivo: o governo turco se nega a reconhecer a existência da vizinha República do Chipre.

A UE tem reiterado sem êxito o pedido de que o governo turco abra os portos e aeroportos do país ao Chipre, membro do bloco desde 2004. Caso esta exigência não seja cumprida até o final deste ano, há o perigo de um impasse total ou até de interrupção das negociações. Merkel anunciou que neste ponto será intransigente.

Como presidente da União Democrata Cristã (CDU), ela tem se pronunciado contra a Turquia como país-membro da UE. Em visita ao país em 2004, ainda como líder da oposição, Merkel defendeu uma "parceria privilegiada" entre a Turquia e a União Européia como alternativa ao ingresso no bloco.

Cobrança e advertência

Como chanceler federal alemã, porém, é obrigada a respeitar o acerto feito entre Bruxelas e Ancara, de iniciar negociações com duração prevista até 2013, mas com final em aberto. "O importante é que a Turquia cumpra completamente suas obrigações e preencha todos os critérios para o ingresso", disse diplomaticamente nesta quinta-feira.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, admitiu nesta quinta-feira que as negociações com a Turquia se encontram na pior crise desde seu início há um ano. Ele advertiu, porém, que um "não repentino, sem justificativa, só porque mudamos de opinião, poderia ser interpretado como sinal de arrogância ou até como afronta ao mundo islâmico".

"Se me perguntarem se a Turquia pode ingressar hoje na UE, a resposta é não. Mas em 15, 20 ou 25 anos, quem pode me dizer como será a situação na Turquia e na Europa?", perguntou. O comissário de Ampliação da UE, Olli Rehn, disse que oferecer apenas uma "parceria privilegiada" comprometeria a credibilidade européia.

Solução equilibrada

O fundador da comunidade turca na Alemanha, o deputado federal Hakki Keskin (Partido de Esquerda), fez um apelo a Merkel para que, durante a presidência alemã da UE, no primeiro semestre de 2007, dê o prosseguimento previsto às negociações. "No momento, só se pode estimular a Turquia e dar continuidade ao processo de reformas. Isso também é tarefa do governo alemão", disse.

O deputado federal alemão Cem Özdemir (Partido Verde), de origem turca, acredita que Merkel tem condições de oferecer uma solução equilibrada para a questão do Chipre, uma vez que "não está sob suspeita de ser especialmente pró-turca", como era o caso de seu antecessor Gerhard Schröder.

No primeiro encontro entre Merkel e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, nesta quinta-feira, não houve aproximação nesta questão. Erdogan disse que a exigência de abrir os portos e aeroportos para o Chipre é "unilateral e injusta". Ele exige que a UE reduza antes as barreiras comerciais impostas à parte turca da ilha do Chipre.

Cursos de alemão

Merkel elogiou, no entanto, a promessa feita por Erdogan de apoiar a integração dos cerca de dois milhões de turcos na Alemanha. O governo em Ancara pretende oferecer cursos de alemão para os turcos que quiserem se juntar às suas famílias e requerer a cidadania alemã.

A Alemanha é o principal investidor e parceiro comercial da Turquia. Mais de duas mil firmas alemãs têm subsidiárias no país. Uma delegação de 20 empresários dos setores de turismo, energia e transportes acompanha a comitiva de Merkel na visita a Ancara.

Nesta sexta-feira, a chefe do governo alemão volta a se reunir com Erdogan e terá ainda um encontro com líderes religiosos turcos, com os quais tratará assuntos como o diálogo entre o Ocidente e o mundo islâmico. Este ponto da agenda é destacado pela Chancelaria Federal alemã, por causa da ressonância que teve na Turquia a recente Conferência Islâmica realizada em Berlim.

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  • Data 05.10.2006
  • Autoria (ina/gh)
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