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Mundo

Merkel: Europa não pode mais confiar inteiramente nos outros

Falta de consenso na cúpula do G7 e Brexit iminente decepcionam chefe de governo alemã. Mídia americana confirma: Trump pretende retirar os EUA do Acordo de Paris sobre o clima.

Encontro em Taormina confirmou postura americana na contramão das demais nações industrializadas

Encontro em Taormina confirmou postura americana na contramão das demais nações industrializadas

Num discurso informal em Munique, neste domingo (28/05), a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, não ocultou sua decepção após a conferência de cúpula do G7, em Taormina, Itália. "Os tempos em que podíamos confiar inteiramente em outros ficaram para trás, até certo ponto. Foi o que vivenciei nestes dias. Nós, europeus, precisamos realmente tomar o nosso destino nas próprias mãos."

A política conservadora se referia não apenas à postura demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no encontro internacional encerrado na véspera, mas também ao iminente Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia decidida por referendo.

Naturalmente a amizade com os americanos e com os britânicos deve ser mantida, e Merkel espera manter uma boa vizinhança "também com a Rússia, também com outros Estados".

Nesse contexto, é especialmente importante a boa relação com a França sob o novo presidente Emmanuel Macron, salientou a também presidente do partido União Democrata Cristã (CDU), durante um evento da campanha eleitoral de Horst Seehofer, líder da legenda-irmã bávara União Social Cristã (CSU).

Trump deve abandonar Acordo de Paris

Na cúpula da sexta-feira e sábados, reunindo na ilha da Sicília a Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido, quase não se registraram progressos no sentido de uma política comum para as sete principais nações industrializadas.

Sobretudo o curso de confrontação adotado por Trump precipitou o grupo numa considerável crise. Fracassaram fragorosamente as tentativas dos chefes de Estados e governo das demais seis nações para que ele se comprometesse com o Acordo de Paris, para proteção do clima global.

Após o encerramento, em mensagem no Twitter, Trump anunciou que tomaria sua decisão final durante a semana em curso. No entanto, segundo notícia divulgada no próprio sábado pelo site Axios, o chefe da Casa Branca teria comunicado a alguns dos principais assessores que vai retirar os EUA do acordo do clima. A conceituada companhia de informação americana Axio Media cita três fontes com conhecimento direto dos planos do presidente.

Migrantes como última prioridade

Sobre o tema comércio internacional, o máximo que se conseguiu no encontro do G7, é que nas apenas seis páginas do comunicado final do encontro fosse incluída uma alusão ao combate ao protecionismo – após vencer a resistência de Trump. Só em relação à onda de refugiados alcançou-se um consenso mais fácil entre as sete potências, com a perspectiva de ações mais decididas contra a imigração indesejada.

Nos últimos quatro anos, centenas de milhares de migrantes africanos atravessaram o Mar Mediterrâneo para buscar refúgio de guerras e pobreza, indo parar na Sicília e outras ilhas do Mediterrâneo. A Itália esperava convencer seus companheiros do G7 sobre as vantagens da imigração legal como meio para reduzir o número de travessias fatais em barcos precários.

No entanto a sugestão foi logo descartada pelos americanos e os britânicos. Demonstrativamente, Trump nem mesmo se dignou a colocar os fones de ouvido para acompanhar a tradução simultânea da exposição do premiê italiano e anfitrião da cúpula, Paolo Gentiloni, sobre as atuais crises na África.

AV/afp,rtr,ap,dpa

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